quarta-feira, 17 de maio de 2023
segunda-feira, 8 de maio de 2023
Nova espécie de borboleta é batizada em homenagem a vilão de Senhor dos Anéis
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Por Redação, do Um Só Planeta
sexta-feira, 17 de março de 2023
Borboletas revelam "funilaria" e improviso da evolução.
O mimetismo é um interessante fenômeno evolutivo.
Em poucas palavras, trata-se do caso em que espécies independentemente adquirem características físicas semelhantes, principalmente em relação à coloração “aposemática”, quando organismos venenosos ou pouco palatáveis exibem cores fortes para indicar aos predadores que nem vale a pena tentar comê-los, sob pena de passar muito mal ou até mesmo morrer. Entre os exemplos mais conhecidos de coloração aposemática, podemos citar os venenosíssimos sapinhos dendrobatídeos. Estes sapos (ou pererecas) produzem fortes neurotoxinas, que inclusive são utilizadas em setas de caça por alguns povos originários da América do Sul. São extremamente coloridos, facilmente reconhecíveis pelos predadores que não querem passar mal.
Animais que não são perigosos assim às vezes imitam (mimetizam) essas cores, tirando benefício da semelhança. Entende-se que a manutenção de coloração mimética é evidência de forte pressão seletiva causada por predação. O tipo mais conhecido de mimetismo é o “batesiano”, descrito por Henry Walter Bates, e ocorre quando uma espécie não venenosa “imita” a coloração de outra espécie venenosa. Adicionalmente, o naturalista teuto-brasileiro Fritz-Müller também descreveu outro tipo de mimetismo (chamado mülleriano), onde diversas espécies, todas pouco palatáveis, apresentam colorações parecidas, também indicando aos predadores que tentar comê-las pode ser um erro fatal.
Dá para entender como a evolução pode favorecer o surgimento de sinais coletivos de perigo – conferindo a todo um conjunto de espécies um tipo de "proteção por reputação associada". Mas isso quer dizer que as espécies, mesmo sendo diferentes, têm os mesmos genes controlando a aparência, funcionando da mesma forma?
Muitos genes
Ao contrário do que popularmente se pensa, não existe um “gene da cor” na maior parte dos sistemas biológicos. O que ocorre tipicamente é uma diversa rede de diferentes genes que interagem, e estes por sua vez são “orquestrados” por uma rede regulatória genética.
Precisamos imaginar que, durante o desenvolvimento de um organismo, centenas de genes precisam ser ativados e desativados em momentos (tempo) e partes do corpo (espaço) diferentes. Essa complexa rede de relações é orquestrada por dois tipos fundamentais de reguladores: elementos cis-regulatórios (CREs), essencialmente sequências de DNA próximas aos genes-alvo (por exemplo, os chamados "promotores"), e também fatores de transcrição (TFs), proteínas que podem se ligar/desligar de regiões do genoma, promovendo ou suprimindo a expressão de genes-alvo.
Atualmente, avançadas técnicas de sequenciamento são capazes de identificar a atividade tanto de CREs quanto de TFs. Estas novas técnicas permitem determinar como a rede regulatória genética está funcionando ao longo do desenvolvimento do organismo.
Um recente trabalho estudou a questão do desenvolvimento de cor mimética em um emblemático par de borboletas: as Heliconius melpomene e Heliconius erato. Estas borboletas são parentes próximas, e apenas duas espécies de um complexo de cerca de 40 espécies co-miméticas. Elas apresentam mimetismo mulleriano, ou seja, são em sua maioria venenosas e semelhantes.
A principal característica mimética é uma grande banda vermelha no meio da asa, bastante visível e reconhecível. H. melpomene e H. erato são parentes, mas não são espécies irmãs. Portanto, adquiriram a capacidade de coloração de maneira independente. Porém, por serem muito próximas, é de se imaginar que utilizaram um ferramental genético semelhante, de maneira paralela – ou seja, ambas têm à disposição a capacidade de produzir a banda vermelha, e espera-se que a tenham utilizado de maneira semelhante.
A surpresa
Steven Belleghem e seus colaboradores analisaram, em artigo publicado neste mês na revista Science, as principais regiões genéticas responsáveis pela regulação do desenvolvimento da banda vermelha. Esta análise se deu ao longo do desenvolvimento da borboleta: desde o estágio larval até o estágio pupal (isto é, no casulo), quando são expressos os genes que produzem a banda vermelha: ou seja, acompanharam a variação do funcionamento dos genes ao longo do tempo. E observaram também como estas mesmas regiões se comportam em diferentes partes do corpo, dividindo a asa e o corpo da larva em regiões que dão origem às partes frontal, medial e traseira da asa: ou seja, viram como o funcionamento dos genes varia no espaço.
Surpreendentemente, o padrão de regulação se mostrou completamente diferente nestas borboletas que são parentes e exibem uma coloração bastante semelhante, produzida basicamente pelos mesmo genes. As análises das regiões de DNA possivelmente envolvidas na produção da coloração revelaram comportamentos muito distintos. Em alguns casos, nenhuma similaridade foi encontrada. A conclusão é que estes dois organismos evoluíram, independentemente, redes genéticas regulatórias totalmente diferentes, mas que ainda assim são capazes de produzir o mesmo resultado.
Funilaria
Existem duas reflexões bastante interessantes que podemos tirar deste surpreendente resultado.
Primeiramente, a máxima proferida por François Jacob em seu célebre ensaio “Evolution and Tinkering”, de 1977, se mostra profundamente acurada. Jacob, juntamente com Jacques Monod, ganhou o prêmio Nobel em 1965 por ter demonstrado a existência de regulação na expressão de genes. Neste ensaio, Jacob defende a ideia de que a evolução funciona muito mais como uma “tinkerer” (funileira, em tradução livre) do que como uma engenheira.
A evolução utiliza os materiais disponíveis, sem um desenho previamente definido, e gera produtos imperfeitos, assim como uma funilaria de fundo de quintal. Uma engenheira, por outro lado, escolheria seus materiais com cuidado, utilizaria um desenho pré-definido e atingiria um resultado perfeitamente adequado à finalidade do projeto. Adicione neste caldo o fato que parte da evolução ocorre por seleção natural (características que conferem vantagem adaptativa são mantidas), mas outra grande parte ocorre pelo mero acaso, fenômeno conhecido como deriva genética (características são mantidas sem nenhuma razão em particular).
No caso da dupla de borboletas Heliconius, vemos essa cena de maneira dramática: as espécies compartilham um ancestral em comum há cerca de 11 milhões de anos. Por todo este tempo, em suas histórias evolutivas independentes, ocorreram eventos aleatórios e eventos de seleção natural que moldaram diferencialmente as redes genéticas regulatórias de cada borboleta, porém sempre mantendo o resultado final da presença da mancha vermelha no meio da asa.
Em segundo lugar, temos aqui um magnífico exemplo da importância dos ditos “resultados negativos” na ciência. O resultado mais simples esperado para o paralelismo fenotípico (isto é, aparência semelhante) entre o par de borboletas seria encontrarmos também um paralelismo genético (genes semelhantes, regulados de modo semelhante). No entanto, a evolução funileira trabalhou com os materiais disponíveis, produzidos por eventos independentes de perda/manutenção de mecanismos de regulação, e gera, como resultado, aparências quase iguais (existem pequenas diferenças entre as bandas vermelhas de cada espécie), geradas por genes quase iguais – mas regulados de modo radicalmente distinto.
Este exemplo de convergência fenotípica gerada a partir de mecanismos genéticos distintos reforça a ideia de que a presença da banda vermelha é forte indicação de pressão seletiva predatória. Neste caso, o resultado “negativo”, ou seja, distinto do esperado, permite à ciência avançar ainda mais do que poderia se os pesquisadores tivessem obtido o tedioso resultado esperado.
Daniel J. G. Lahr, PhD, é professor associado no IB-USP, e atua na área de microbiologia evolutiva
REFERÊNCIA
Jacob, François. "Evolution and Tinkering." Science, 196 (1977): 1161–1166.
terça-feira, 19 de abril de 2022
Biblis hyperia em Tragia alienata
Hábitos
Biblis hyperia é geralmente encontrada isoladamente, em altitude variando entre o nível do mar e cerca de 1.000 metros, porém mais freqüentemente abaixo de 500 metros; vivendo em ambientes alterados, incluindo clareiras de floresta, florestas secundárias, ao longo das estradas ou caminhos e margens de rios. Seu voo é lento e os machos tendem a continuamente agitar suas asas quando se assentam na folhagem de arbustos ou árvores, ou quando absorvem a umidade mineralizada de pedras ou seixos.[3]
Ciclo de vida
Lagartas encontradas em planta de Tragia[1] (Euphorbiaceae),[6] contendo dois prolongamentos como chifres em sua cabeça e uma série de protuberâncias espiniformes em seu corpo, sendo amarronzadas como um galho em sua fase final. Crisálida com prolongamentos alares.[7] O ovo eclode após uma semana, com a lagarta passando por diversas transformações.[8] O ciclo, de crisálida a adulto, leva de 10[carece de fontes] a pouco mais de 20 dias[8] em média.
Mimetismo e toxidade
Segundo Andrew V. Z. Brower, embora a banda vermelha nas asas posteriores esteja posicionada de forma diferente, Biblis hyperia poderia se constituir em um possível caso de mimetismo Mülleriano; imitando borboletas do gênero Heliconius em áreas onde estas borboletas exibam asas negras, com uma banda vermelha nas asas anteriores. Também têm uma semelhança mimética com vários Papilionidae do gênero Parides.[6] Adrian Hoskins afirma que seu voo lento poderia ser indicativo de que esta espécie é desagradável para as aves e que as plantas da qual se alimentam suas larvas, Euphorbiaceae, contêm toxinas que poderiam ficar retidas nos órgãos das borboletas adultas.[3]
Subespécies
Biblis hyperia possui cinco subespécies:[1]
- Biblis hyperia hyperia - Nativa da região de São Tomás, descrita por Fabricius em 1775.
- Biblis hyperia aganisa - Nativa da região do México, descrita por Boisduval em 1836.
- Biblis hyperia laticlavia - Nativa da região do Equador, descrita por Thieme em 1904.
- Biblis hyperia nectanabis - Nativa da região do Brasil (RS;[1] SP; MG; ES;[9] BA;[10] RJ e outros estados[carece de fontes]) e Paraguai, descrita por Fruhstorfer em 1909.[1]
- Biblis hyperia pacifica - Nativa da região do Equador, descrita por Hall em 1928.
Uma sexta subespécie, ainda não descrita, parece habitar a região do Peru.
Referências
- «Biblis» (em inglês). Lepidoptera and some other life forms. 1 páginas. Consultado em 10 de janeiro de 2015
- ↑ «Biblidinae (Boisduval, 1833)» (em inglês). Butterflies and some other life forms. 1 páginas. Consultado em 10 de janeiro de 2015
- ↑ Ir para:a b c d Adrian Hoskins. «Red Rim - Biblis hyperia (Cramer, 1779)» (em inglês). Learn about butterflies. 1 páginas. Consultado em 10 de janeiro de 2015
- ↑ D'ABRERA, Bernard (1984). Butterflies of South America (em inglês). Australia: Hill House. p. 176-177. 255 páginas. ISBN 0-9593639-2-0
- ↑ Ir para:a b «Biblis hyperia (Cramer, 1779)» (em inglês). Butterflies and moths of North America. 1 páginas. Consultado em 10 de janeiro de 2015
- ↑ Ir para:a b Andrew V. Z. Brower. «Biblis hyperia (Cramer, 1779)» (em inglês). Tree of life web project. 1 páginas. Consultado em 10 de janeiro de 2015
- ↑ «Biblis hyperia aganisa, (Boisduval, 1836) - Immatures, page 2» (em inglês). Butterflies of America. 3 páginas. Consultado em 10 de janeiro de 2015
- ↑ Ir para:a b Berry Nall (2011). «Red Rim (Biblis hyperia) life history» (em inglês). Berry's butterfly photos. 3 páginas. Consultado em 10 de janeiro de 2015
- ↑ Kelen Coelho Cruz; Sileimar Maria Lelis; Mariana Aparecida Silva Godinho; Rúbia Santos Fonseca; Paulo Sérgio Fiúza Ferreira; Milene Faria Vieira (setembro–outubro de 2012). «Species richness of anthophilous butterflies of an Atlantic forest fragment in southeastern Brazil» (PDF) (em inglês). Revista Ceres, Viçosa (v. 59, n.5, p. 571-579). 4 páginas. Consultado em 13 de janeiro de 2015
- ↑ Thamara Zacca; Freddy Bravo; Maíra X. Araújo (2011). «Butterflies (Lepidoptera: Papilionoidea and Hesperioidea) from Serra da Jibóia, Bahia state, Brazil» (em inglês). Entomo brasilis 4 (3): página 139-143. 2 páginas. Consultado em 13 de janeiro de 2015
- Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. https://pt.wikipedia.org/wiki/Biblis_hyperia
Particularidades:
Biblis gênero contém apenas uma única
espécie, que é uma das espécies mais características e instantaneamente
reconhecíveis na Região Neotropical. Ambos os sexos são idênticos, e não há
qualquer variação na padronização, embora a largura da banda rosa brilhante sobre
a asa posterior varie ligeiramente. A parte inferior das asas é idêntica ao da
superfície superior, exceto por ter sido um pouco mais pálida. Biblis é
distribuída por todas as áreas tropicais e subtropicais da região neotropical,
desde o México até o Paraguai. Também é encontrado nas maiores ilhas do Caribe
com ligeiras variações. É comum em locais perturbados, clareiras florestais,
floresta, pastagem, mosaicos de vegetação e ao longo das estradas e margens de
rios. Ela é encontrada em altitudes entre o nível do mar e cerca de 1000m, mas
é mais freqüente abaixo borboletas 500m. Geralmente vivem isoladas. Os machos
tendem a continuamente balançar suas asas quando na folhagem de arbustos ou
árvores, ou quando vão absorver minerais em locais úmidos como rochas ou
seixos. O vôo é lento seu padrão de cor sugere que esta espécie é desagradável
para os pássaros. As lagartas se alimentam de Euphorbiaceae que contêm toxinas
e provavelmente são seqüestradas e retidas nos corpos das borboletas adultas. É
um pouco surpreendente, portanto, que as cores e padrões não são imitados por
outras espécies.
O ciclo tem como planta hospedeira a Euphorbiaceae Tragia alienata conhecido popularmente como Cipó-urtiguinha ou no nordeste como tamearana, uma trepadeira delicada e muito urticante.
Planta nativa de: Argentina Nordeste, Argentina Noroeste, Bolívia, Brasil Nordeste, Brasil Sul, Brasil Sudeste, Brasil Centro-Oeste, Paraguai
· Bia sellowiana Klotzsch ex Baill.
