Livro 3D

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Trabalho em campo no Projeto São Francisco identificou nova espécie de borboleta.

Biólogos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina, que acompanham a obra de transposição do Rio São Francisco desde 2008, descobriram uma nova espécie de borboleta no município de Brejo Santo (CE). A espécie foi batizada com o nome Pheles caatingensis, em referência ao bioma onde foi encontrada: nas matas por onde os canais do projeto de integração passam. 
O biólogo Carlos Eduardo Nobre, responsável pelo achado, já enviou artigo com a descrição do inseto para publicação na revista científica Zootaxa (Nova Zelândia). A nova borboleta também foi identificada em Cabrobó, Sertão pernambucano.
A Pheles caatingensis é a única nova espécie encontrada no trabalho de resgate de fauna ao longo da obra da transposição, feito antes da supressão das matas para inundação dos canais. O biólogo revelou que há outras em estudo.
Pheles caatingensis.

Durante os trabalhos, a equipe de biólogos do Cemafauna já resgatou 23.500 bichos de várias espécies nos 56 pontos de monitoramento ao longo da obra, o que levou à produção de um importante banco de dados científicos. Através da observação da fauna, os biólogos podem precisar como está o padrão de qualidade da água de cada açude ao longo do projeto de transposição. As informações são do Jornal do Comércio.
O Projeto de Integração do Rio São Francisco pode ser lembrado neste dia 28 de abril, Dia Nacional da Caatinga, como um dos maiores apoiadores para a pesquisa do único bioma exclusivamente brasileiro.A maior obra do Ministério da Integração Nacional também contribui para fomentar o trabalho de pesquisa de instituições públicas federais inseridas na região do semiárido – território da Caatinga.
As pesquisas chegaram a identificar uma nova espécie de planta, a Pleurophora pulchra, um novo inseto, a borboleta Pheles caatingensis, e vários achados pré-históricos, como a ossada de uma preguiça-gigante.

 Pheles caatingensis.


 Pheles caatingensis.


As iniciativas no campo da fauna dispõem de uma ampla estrutura para pesquisa, monitoramento e ações de proteção à vida selvagem no Centro de Manejo da Fauna da Caatinga (Cemafauna), instalado no campus da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina (PE).
O Cemafauna possui centros de triagem com instalações para acolher aves, mamíferos e répteis. Estes espaços, que se dedicaram a receber animais resgatados em áreas de obra, hoje atendem às instituições que combatem o tráfico de vida silvestre. Desde o início dos trabalhos, foram 127.372 resgatados e 110.307 devolvidos à natureza.
O Cemafauna também possui clínica com UTI veterinária, serpentário, laboratórios modernos e com capacidade de realizar sequenciamento genético – usado no monitoramento das espécies. O trabalho em campo e o suporte dessas instalações permitiram identificar uma nova espécie de borboleta, antes desconhecida pela ciência.
Na esfera da educação ambiental, o Museu de Fauna do Cemafauna Caatinga possui exemplos de animais que passaram pelo processo de taxidermia e, a partir de então, servem para visualizar o modo como eles nadavam, rastejavam, corriam e voavam pelo bioma. O museu possui painéis sensíveis ao toque, com o mapa do Projeto de Integração do São Francisco. Ao tocar em uma área qualquer do mapa, o visitante tem informações sobre o empreendimento e sobre a fauna daquela região.
Flora e arqueologia
O Núcleo de Monitoramento Ambiental (Nema) é outra instituição construída com recursos do Projeto São Francisco e administrada pela Univasf. Dedica-se à pesquisa, ao monitoramento e à recuperação da flora da Caatinga. Os trabalhos de equipes nessa área foram responsáveis pela identificação daPleurophora pulchra, durante uma atividade na Serra do Bendó, em Cabrobó (PE). Atualmente, o Nema desenvolve um modelo para recuperação da Caatinga que será aplicado ao longo dos 477 quilômetros de canais, estações de bombeamento, reservatórios e outras estruturas.
O apoio do Projeto São Francisco a pesquisas tem como foco o território e chegou a abranger um período anterior a consolidação do bioma. Recursos do projeto financiam a realização de pesquisas arqueológicas pela Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), em São Raimundo Nonato (PI), vinculada ao Instituto Nacional de Arqueologia e Paleontologia do Semiárido (Inapas).
São trabalhos com rigor científico, que colheram indicadores de que há 30 mil anos a região que passou a registrar secas periódicas já foi úmida e possuía vegetação densa, capaz de oferecer alimentos aos animais da megafauna do período quaternário, como preguiças-gigantes, com até seis metros de comprimento, tigre-dentes-de-sabre, tatu-pampaterium e outros. Estudos também levaram à constatação de que os períodos de seca já ocorriam no território.
A coordenadora de programas ambientais da Secretaria de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, Elianeiva Odísio, é uma das responsáveis por essas parcerias com as instituições científicas. São instalações, ações e estudos que estão gerando conhecimento para a preservação e a conservação da Caatinga. “O Projeto São Francisco contribui tanto para novos estudos, como para a capacitação e formação de professores. Também possibilita que estudantes e outros interessados recebam bolsas de iniciação científica para trabalhar no projeto e, assim, ampliar o conhecimento sobre o bioma”, afirma.
Projeto São Francisco
Além das iniciativas de pesquisa de fauna, flora e arqueologia, outras ações do Projeto São Francisco contemplam diretamente famílias que foram reassentadas, populações tradicionais e municípios próximos às estruturas. São 38 programas ambientais executados ou em execução, que somados representam um total de cerca de R$ 1 bilhão, incluído no orçamento total de R$ 8,2 bilhões.
A obra é uma das prioridades do governo federal para garantir segurança hídrica a 390 municípios no Nordeste Setentrional, localidades frequentemente afetadas pela estiagem. O projeto beneficiará mais de 12 milhões de pessoas nos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Com previsão de conclusão em dezembro de 2016, as obras estão com 84,4% de avanço físico e contam com um efetivo de 10.340 profissionais.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Borboletas mostram nova tática de sobrevivência.


Peter Moon  |  Agência FAPESP – 
Uma nova tática de sobrevivência acaba de ser descoberta em borboletas. É o que mostra um estudo com resultados publicados na revista Neotropical Entomology e coordenado por André Lucci Freitas, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e por Carlos Eduardo Guimarães Pinheiro, da Universidade de Brasília (UnB).
Trabalho feito na Unicamp, UnB e University of New Orleans identifica maior complexidade na forma de evitar predação e abre novas perspectivas para o estudo da evolução do mimetismo ( e, à direita, Parides anchises / divulgação)
A pesquisa, que contou também com pesquisadores da UnB e da University of New Orleans, teve apoio da FAPESP no âmbito do programa BIOTA.
Sabe-se que várias espécies de borboletas desenvolveram, em sua evolução, características como a liberação de toxinas resultante em um gosto “desagradável” para evitar a predação pelos pássaros. Esses insetos impalatáveis acabaram também alardeando sua toxicidade por meio da exibição de cores vivas. É como se avisassem os predadores sobre o gosto ruim.
As borboletas palatáveis, sob pressão da predação, também desenvolveram táticas de sobrevivência. São, por exemplo, mais rápidas. Passaram também a ter um padrão de formas e cores nas asas que as identificam como muito rápidas e difíceis de capturar.
As borboletas palatáveis e mais lentas seriam, naturalmente, os alvos preferenciais dos predadores. Mas, para sobreviver, elas também criaram os seus próprios estratagemas, como o “mimetismo de escape”, por meio da qual imitam as cores das não palatáveis.
Resumindo, as borboletas impalatáveis não precisam investir em estratégias de fuga. Por serem venenosas, podem se dar ao luxo de um voo lento. Já as palatáveis precisam ser rápidas ou imitar aquelas impalatáveis para não serem comidas. Mas o novo estudo mostra que nem sempre é isso o que ocorre.
Freitas, Pinheiro e colegas estudaram especialmente duas espécies de borboletas: Heraclides anchisiades capys e Parides anchises nephalion. A primeira é palatável e muito rápida. Já a segunda, não palatável, é lenta e muito venenosa.
Ocorre que, apesar das diferenças e de não serem parentes próximas, as duas espécies são muito parecidas em padrão de coloração. A veloz H. anchisiades exibe uma padronagem de asas que muito se assemelha à da venenosa P. anchises, uma habitante das regiões tropicais das Américas.
Isso não é exclusividade da H. anchisiades, pois muitas outras espécies imitam a P. anchises. É um exemplo clássico de mimetismo, onde a palatável imita a não palatável e ganha vantagens com isso. Porém, dentre todos os que imitam a P. anchises, a H. anchisiadesé uma das mais rápidas e a que possui a maior distribuição geográfica nas Américas.
À primeira vista, a H. anchisiades parece associar a sua coloração à aparência de uma borboleta muito tóxica. Em termos de estratégia de defesa para afugentar predadores, trata-se do melhor de dois mundos.
A ave que ignorar o padrão de cores tóxicas e tentar predar a H. anchisiades acabará perseguindo uma borboleta muito rápida e gastar energia sem conseguir alimento. Ao usar o mimetismo para enganar as aves, essa borboleta minimiza ao máximo as chances de predação e pode se voltar a tarefas como alimentação e reprodução.
“A borboleta veloz imita a borboleta tóxica e, dessa forma, ganha vantagens adaptativas ao associar a sua velocidade a uma característica (a toxicidade) identificada pelas aves como gosto ruim”, disse Freitas.
Já a P. anchises é uma das borboletas mais venenosas da América tropical. Seu vôo é lento, sinal de que fugir dos predadores não é uma prioridade. Apesar disso, ela exibe uma padronagem que se assemelha à da veloz H. anchisiades.
Dado que a borboleta venenosa vive nos trópicos e a borboleta veloz em todas as Américas, o que seria mais provável? Que o último ancestral comum das velozes e palatáveis H. anchisiades mimetizou a impalatável P. anchises e a vantagem adaptativa advinda deste mimetismo levou a espécie a se espalhar pelas Américas.
A distribuição geográfica mais limitada da P. anchises parece sugerir uma segunda possibilidade. “Uma borboleta muito venenosa imitaria outra muito rápida e de ampla distribuição também para minimizar as chances de predação”, disse Freitas. É esta possibilidade que o estudo evidencia.
Sugerir que uma espécie impalatável possa mimetizar uma espécie palatável como tática de sobrevivência para ganhar vantagens adaptativas não é uma ideia que possa ser encontrada em um manual de biologia. Trata-se de uma tese original.
“Argumentava-se que o mimetismo de escape só existiria em espécies palatáveis. Nossa pesquisa sugere que, em diversos casos, uma espécie impalatável poder estar fazendo uso do mimetismo de escape. Com isso, a teoria do mimetismo muda e ganha em complexidade”, disse Freitas.
Dupla estratégia
O estudo promete causar discussão entre os especialistas devido a algumas constatações, segundo Pinheiro. “Diria que as principais contribuições de nosso trabalho são, em primeiro lugar, mostrar que a coloração das borboletas não está relacionada apenas a sua palatabilidade, mas que predadores associam suas cores à dificuldade que encontram para capturá-las”, disse.
“Em segundo lugar, o estudo indica que borboletas palatáveis podem convergir em sua coloração e formar tipos de mimetismo baseados na capacidade de escapar”, disse o pesquisador da UnB.
“Além disso, mesmo algumas borboletas impalatáveis podem também ser rápidas e usar as duas estratégias para evitar ataques de aves. O estudo levanta uma série de novas hipóteses para serem testadas em trabalhos futuros”, disse.

O artigo Both Palatable and Unpalatable Butterflies Use Bright Colors to Signal Difficulty of Capture to Predators (doi: 10.1007/s13744-015-0359-5), de Pinheiro CE, Freitas AV, Campos VC, DeVries PJ, Penz CM, publicado no Neotropical Entomology, pode ser lido em: link.springer.com/article/10.1007%2Fs13744-015-0359-5
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segunda-feira, 18 de abril de 2016

Cientistas elaboraram um modelo que soluciona o mistério de uma das jornadas mais espetaculares da natureza.


Em trabalho conjunto, biólogos e matemáticos descobriram os mecanismos por trás de famosa migração – do Canadá ao México – das borboletas monarcas.



Cientistas elaboraram um modelo que soluciona o mistério de uma das jornadas mais espetaculares da natureza – a grande migração das borboletas monarcas (Danaus plexippus) do Canadá ao México.



O sol é a principal referência das borboletas durante a migração do Canadá ao México (Foto: Monarch Watch)
Ameaçadas pelo corte ilegal de árvores e uso de herbicidas, as monarcas são o único inseto a fazer uma migração tão longa.
Em conjunto com biólogos, matemáticos reconstruíram o compasso interno que elas usam na jornada. Osresultados foram publicados na revista científica Cell Reports.
O chefe da pesquisa, Eli Shlizerman, da Universidade de Washington, disse que, como um matemático, ele quer saber como sistemas neurobiológicos são conectados e quais regras podemos aprender a partir deles.
“Borboletas monarcas (completam sua jornada) de maneira otimizada e predeterminada”, disse. “Elas terminam numa locação específica no centro do México depois de dois meses de voo, economizando energia e usando apenas algumas indicações.”


As borboletas monarcas são os únicos insetos a fazer uma migração tão longa (Foto: Monarch Watch)
Enquanto a maioria dos insetos hiberna no inverno, as monarcas são as únicas borboletas conhecidas que migram como pássaros, fugindo do inverno. A jornada supera o tempo de vida do inseto, que é de aproximadamente dois meses – o ciclo de ida e volta é realizado por até quatro gerações da borboleta.
No trabalho com biólogos, como Steven Reppert, da Universidade de Massachusetts, Shlizerman coletou informações diretamente de neurônios nas antenas e olhos das borboletas.
“Descobrimos que as indicações dependem quase totalmente do Sol”, afirmou Shlizerman. “Uma é a posição horizontal do Sol e a outra é o acompanhamento da hora do dia. Isso dá (ao inseto) um compasso solar interno para viajar rumo ao sul durante o dia.”
Aplicações práticas

Após desvendar os dados que abastecem esse compasso interno, a equipe de pesquisadores criou um modelo para simulá-lo.

O sistema consiste em dois mecanismos de controle – um baseado nos “neurônios relógio” das antenas das borboletas e outro nos chamados “neurônios azimute” dos olhos dos insetos. Esses mecanismos monitoram a posição do Sol.
“O circuito casa esses dois sinais para informar o sistema se é preciso alguma alteração para permanecer no rumo certo. Isso é muito empolgante – mostra como um comportamento é produzido pela integração de sinais”, acrescentou.
Segundo o chefe da pesquisa, esses conceitos podem ser usados para produzir versões robóticas desses sistemas – algo que usa a energia e a orientação do Sol.
Um dos objetivos da equipe é construir uma borboleta robótica que poderia seguir os insetos e rastrear todo o processo de migração.
“É uma aplicação interessante, que poderia seguir as borboletas e até ajudar na preservação delas. Esses insetos vêm decrescendo de número na natureza, e queremos mantê-los conosco por muito tempo.”

(Fonte) http://www.jornalfloripa.com.br/geral/NOTICIA/cientistas-solucionam-um-dos-maiores-misterios-da-natureza/

quinta-feira, 24 de março de 2016

Nova Borboleta Descoberta no Alasca

Cientista da Universidade da Flórida descobre uma borboleta híbrida, algo raro em animais, que é adaptada para o rigoroso clima do Alasca

Fonte: University of Florida and The Journal of Research on the Lepidoptera

A recém descoberta borboleta Oeneis tanana (vista dorsal)
A recém descoberta borboleta Oeneis tanana (vista ventral)

Uma nova espécie de borboleta foi descoberta no estado americano do Alasca, a primeira descoberta do tipo nos últimos 28 anos. O inseto pertence ao gênero Oeneis, cujos membros são comumente conhecidos como borboletas do Ártico, e acredita-se ser a única borboleta endêmica do Alasca.
O especialista em borboletas, Andrew Warren, da Universidade da Flórida, sugere que a borboleta recém descoberta possa ser uma híbrida, nascida de uma cruza entre as borboletas Chryxus do Ártico e White-veined do Ártico, duas espécies relacionadas que se adaptaram ao clima frio do Ártico durante a última Era Glacial, por volta de 28.000 a 14.000 anos atrás.
A nova espécie de borboleta foi batizada de Tanana do Ártico, ou Oeneis tanana em Latin. De acordo com o relatório, ela estava escondida "debaixo dos narizes dos cientistas" por mais de 60 anos devido às suas semelhanças físicas com a espécie Chryxus do Ártico. Isso até Warren perceber suas características distintas, enquanto organizava coleções de borboletas.
Ele descobriu que a borboleta Tanana do Ártico é maior e mais escura que a Chryxus do Ártico e tem uma aparência "fosca", em razão das manchas brancas estendidas na parte inferior de suas asas. Também descobriu-se que o DNA da espécie é único, embora se pareça muito com o genes da borboleta White-veined do Ártico.



Andrew Warren, da Universidade da Flórida, que descobriu a nova espécie


Estes argumentos apoiam ainda mais a hipótese de que a Tanana do Ártico possa exibir traços híbridos. Warren afirma que isso pode revelar os segredos da história geológica da América do Norte ártica e a evolução das espécies híbridas, incomuns no mundo animal mas frequentes em plantas.
Outras espécies do gênero Oeneis são encontradas em lugares como Rússia e Sibéria. Mais pesquisa de campo, entretanto, é necessária para investigar se a Tanana do Ártico também habita territórios mais para o leste do noroeste do Canadá.
Borboletas têm sangue frio, o que significa que elas não regulam sua própria temperatura corporal, mas assumem a temperatura do ambiente, dessa forma, muitas espécies não podem sobreviver abaixo do ponto de congelamento. As borboletas do Ártico, no entanto, são conhecidas por sobreviver em ambientes extremamente frios, devido à uma solução natural anti-congelamento produzida em seus corpos.
Por esta razão, as borboletas reagem extremamente rápido às mudanças no clima. A equipe de pesquisadores da Flórida afirma que a Tanana do Ártico pode servir como um primeiro indicador de alerta das mudanças ambientais que ocorrem no ermo do Alasca.


Arquivo PDFThe Journal of Research on the Lepidoptera; 

A new species of Oeneis from Alaska, United States, with notes on the Oeneis chryxus complex (Lepidoptera: Nymphalidae: Satyrinae)

http://lepidopteraresearchfoundation.org/journals/49/JRL_49_1_20.pdf

Por: 
Creative Commons Licence O texto deste artigo pode ser usado livremente se o Eatglobe for creditado como fonte e, caso você use o texto online, você deve fornecer o link para o texto original no eatglobe.com (CC Attribution 4.0 Int. License). As imagens não podem ser usadas, com exceção daquelas que estão ligadas ao Wikimedia Commons.
http://www.eatglobe.pt/news/animals/1592-new-butterfly-species-discovered-in-alaska.html


quarta-feira, 16 de março de 2016

Borboleta com “imagem” de Nossa Senhora Aparecida conforta moradores de Mariana.


Seria uma simples coincidência??


O vídeo de uma singela borboleta se tornou viral nas redes sociais no Brasil. As cenas gravadas mostram o inseto pousado em uma bota, mexendo as asas, nas quais os contornos formam uma imagem que remete à padroeira do país, Nossa Senhora Aparecida. Segundo  internautas, a toma foi feita em um dos locais afetados pela enxurrada de lama perto de Mariana (MG).

Borboleta Junonia genoveva


O vídeo foi reproduzido por dezenas de usuários no Facebok e no Youtube e já conta com mais de 2 milhões de visualizações nas redes. A imagem teria sido feita por um bombeiro, que ajuda na reconstrução do distrito de Bento Rodrigues (MG), devastado pelo rompimento das barragens de Fundão e Santarém da Mineradora Samarco, no dia 5 de novembro, uma das maiores tragédias da história brasileira.
Entre os internautas que publicaram o vídeo, esteve Padre Chrystian Shankar, da Diocese de Divinópolis (MG), conhecido pelo amplo trabalho de evangelização por meio de pregações, livros e mídias, abordando temas bíblicos, doutrinais e de vida e família.

Borboleta Junonia genoveva

Em seu post, escreveu: “Emocionante: filmagem registrada por um Bombeiro durante os trabalhos em Bento Rodrigues em Mariana. Observem a figura nas asas da borboleta…”. O padre ainda observou que as cenas mostram “o esplendor das maravilhas de Deus!” e completou: “Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!”.

Borboleta Junonia genoveva

Centenas comentaram o vídeo, expressando a comoção e surpresa em perceber a silhueta da Virgem de Aparecida nas asas do inseto.
“Beleza simples e singela, doce e suave ao abrir e fechar suas asas. Que Nossa Senhora Aparecida interceda por todos nós!”, escreveu Charlete Silva.
Outra internauta, Eliane Lourenço afirma: “Que lindo, de todo jeito Deus faz a gente lembrar que está sempre do nosso lado”. Ela ainda pede que Nossa Senhora rogue “por esse povo sofrido e pela natureza” que foi devastada no desastre das barragens.
Além disso, as imagens também circulam por aplicativos de mensagens de celulares.
A borboleta que aparece no vídeo é da espécie Junonia
Ela pode ser encontrada em diversas regiões das Américas, tais como Brasil, Argentina, Colômbia, Equador, Suriname, Guiana Francesa, Venezuela, Costa Rica, Honduras, Porto Rico e México.
É uma espécie que pode ser encontrada durante todo o decorrer do ano. De voo rápido e baixo, costuma pousar de asas abertas. Habita lugares descampados e ensolarados.
Para muitos, ver a imagem que remete à padroeira do Brasil nas asas da borboleta foi ocasião de sentir a presença de Nossa Senhora em meio à tragédia, a qual deixou centenas de pessoas sem lar e até o momento onze mortos. Os danos ambientais são incalculáveis e estima-se que boa parte da vida aquática do Rio Doce, atingido pelo lamaçal, foi perdida, deixando assim milhares de pescadores sem trabalho e diversos municípios sem água.
Recentemente, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil pediu medidas concretas para ajudar os atingidos e a ONU repreendeu o governo brasileiro pedindo maiores sanções às companhias responsáveis pelo derramamento.

  

Junonia genoveva, o buckeye mangue, é uma borboleta do Nymphalidae da família. Pode ser encontrada desde o sul do Novo México , sul do Arizona , no sul do Texas , e do sul da Flórida ao sul através da Antilhas , México e América Central aArgentina . Estáticas raros podem ser encontrados até o Sudeste da Califórnia , sudeste do Colorado e Central Florida . NasIlhas Cayman , ele é conhecido como o Buckeye Caraíbas ou Tropical Buckeye. Ele é facilmente confundida com Junonia evarete. [1]
envergadura é 45-57 mm.
As larvas foram registrados em Stachytarpheta , tuberosa Ruellia e Blechum na Jamaica. Os adultos alimentam no néctar da flor.


segunda-feira, 14 de março de 2016

Efeitos de Fukushima chamam atenção da ciência

O impacto do desastre nuclear de Fukushima, ocorrido há cinco anos, pode ser visualizado de maneira assustadora através de graves deformidades detectadas em borboletas. A descoberta foi feita pela pesquisadora japonesa Chiyo Nohara, falecida há alguns meses. A redação japonesa da swissinfo.ch encontrou-a durante uma conferência realizada na Suíça.

À esquerda: uma borboleta normal. Direita: um exemplar com malformações. (Keystone)

À esquerda: uma borboleta normal. 
Direita: um exemplar com malformações.
(Keystone)
O impacto do desastre nuclear de Fukushima, ocorrido há cinco anos, pode ser visualizado de maneira assustadora através de graves deformidades detectadas em borboletas. A descoberta foi feita pela pesquisadora japonesa Chiyo Nohara, falecida há alguns meses. A redação japonesa da swissinfo.ch encontrou-a durante uma conferência realizada na Suíça.
"Até então não tinha nada a ver com Fukushima", lembrou-se Chiyo Nohara ao longo da entrevista realizada em 2014, durante um simpósio sobre o tema "Efeitos da radioatividade sobre os genes" em Genebra. Nesse momento ela já se encontrava gravemente enferma. "Depois do acidente nuclear me preocupava tanto como se a minha filha vivesse por lá. Eu quis ir logo depois para Fukushima e ver com os meus próprios olhos o que havia ocorrido". Essa ideia foi o verdadeiro impulso para a pesquisa de borboletas. 
Inicialmente Nohara não tinha nada a ver com ciências exatas. Na Universidade de Aichi, algumas centenas de quilômetros ao sul de Tóquio, ela trabalhava como professora e ensinava como estruturar sistemas de controle para a administração público. Posteriormente se voltou à área ambiental e mudou-se para a ilha de Okinawa, onde assumiu uma cadeira na Universidade de Ryukyu.
Em 11 de março de 2011 ocorreu a catástrofe tríplice: terremoto, tsunami e acidente nuclear na central de Fukushima. Imediatamente Nohara solicitou à universidade autorização para pesquisar possíveis mudanças nas borboletas. Como seu colega Joji Otaki já trabalhava com a família das Lycaenidaes, uma espécie de borboleta azul, ela escolheu as Zizeeria mahas, um subtipo das Lycaenidaes, muito comum no Japão.
Em maio de 2011, pesquisadores recolheram machos da borboleta afetadas pelas radiações nas cidades de Fukushima e Motomiya (aproximadamente 60 quilômetros ao noroeste, respectivamente oeste da central nuclear). Já no local, descobriram que suas asas eram menores do que de borboletas da mesma família, mas originárias de um lugar remoto.

De volta à Okinawa, eles criaram com as borboletas irradiadas a primeira geração de laboratório. Nesses insetos perceberam um atraso no desenvolvimento na fase da pupa e na incubação, assim como uma maior incidência de malformações. Quanto mais próximo à central nuclear os machos foram recolhidos, mais frequentes eram as malformações na prole.
A progenitura da segunda geração apresentava finalmente não apenas malformações semelhantes como a dos seus progenitores, mas também outras formações anormais como, por exemplo, antenas tortas.
Além disso, o grupo pesquisou os efeitos da radiação ao irradiar artificialmente borboletas saudáveis da ilha de Okinawa e depois alimentá-las com erva-azeda para irradiá-las também internamente. Também nesse caso verificou-se uma queda da taxa de sobrevivência, uma redução do tamanho das asas e malformações nos corpos. "Dessa forma confirmamos as descobertas feitas com as borboletas recolhidas no laboratório", disse Nohara. Sua pesquisa foi publicada em 2012 na revista científica Nature.
A entrevista foi realizada em 29 de novembro de 2014

swissinfo.ch: Por que você decidiu viajar apenas dois meses após catástrofe nuclear para Fukushima e recolhe provas?

Chiyo Nohara: De fato, no momento havia o risco de ocorrer outros acidentes na central nuclear através de tremores secundários. Mas eu queria de qualquer maneira recolher borboletas irradiadas, que ainda estava no estágio de larva em Fukushima. Em Chernobyl essa pesquisa com organismos só foi realizada cinco anos após o acidente. Eu queria evitar que isso acontecesse mais uma vez.
Com o professor Otaki e dois outros pesquisadores visitei no final de maio diferentes locais. Nossa intenção era comparar as provas com as de Tóquio e outras cidades.

swissinfo.ch: Antes você realizava auditorias em administrações públicas. Depois começou a procurar borboletas mortas e procurar nelas deformidades físicas. Era um mundo completamente diferente, não?

Chiyo Nohara, durante o encontro em 2014 em Genebra.
(swissinfo.ch)

C.N.: Eu não tinha condições de refletir sobre a mudança na minha situação. O cotidiano era antes extremamente estressante e o tempo, escasso. Eu visitava todos os dez dias a prefeitura de Fukushima e recolhia mostras de erva-azeda irradiadas. Eu alimentava com elas as borboletas para que seus órgãos internos também fossem contaminados.
Eu voava de Okinawa para Tóquio e, de carro, até Fukushima. Depois procurava amostras de erva-azeda e, ao mesmo tempo, um serviço de correio para enviar as plantas ainda frescas três, ou até quatro vezes por dia, à Okinawa.
Eu passava a cada vez três noites no local. De volta à Okinawa, ia à noite diretamente para o laboratório e alimentava durante toda a noite as borboletas. Minha intenção era aliviar um pouco o pesquisador responsável por esse trabalho durante as minhas ausências. Durante um ano e meio trabalhamos assim.

swissinfo.ch: Quais foram os experimentos que lhe impressionaram mais?

C.N.: O experimento com a irradiação dos órgãos internos. Alguns insetos alimentávamos com ervas contaminadas. Já o grupo de controle recebia ervas não contaminadas do Japão ocidental. Assim observamos, que todas as borboletas alimentadas ainda como larvas com a erva-azeda retirada da região de Fukushima eram visivelmente mais lentas do que aquelas do grupo de controle.
Foi um grande choque para mim. Eu achava que isso estava relacionado à doença que as pessoas chamavam popularmente, após a explosão da bomba nuclear em Hiroshima, de "Genbaku Bura-Bura" (benbaku = explosão da bomba nuclear, bura-bura = de longa duração).

swissinfo.ch: Quais são as suas mais recentes descobertas?

C.N.: Os resultados das observações sobre as contaminações internas por radioatividade são muito interessantes. Eles foram publicados há pouco. Essas observações são para mim como uma luz na escuridão.
Nós dividimos as larvas da primeira geração gerada em laboratório, todas descendentes das borboletas irradiadas em Fukushima, em dois grupos. Uma alimentava-se da erva-azeda contaminada e as outras, com a erva de Okinawa. Como esperávamos, as taxas de mortalidade e anomalias eram no primeiro grupo muito mais elevadas do que no grupo de Okinawa.
Mas com a segunda geração a situação já era diferente: as taxas de sobrevivência da progenitura alimentada com a erva-azeda de Okinawa do grupo de borboletas contaminadas era tão elevadas como as do grupo de Okinawa, cuja alimentação desde a primeira geração era feita com a erva-azeda não contaminada. 
Aqui há uma forte probabilidade de que esse fenômeno também se aplique em seres humanos. Isso significa que as taxas de sobrevivência podem aumentar nas gerações seguintes se a alimentação não for mais contaminada. Nesse sentido os resultados me dão esperanças.

swissinfo.ch: Esse experimento chamou bastante a atenção dos participantes desse importante simpósio em Genebra, não?

C.N.: De fato. O interesse era bem grande, pois as taxas de sobrevivência e normalidade na segunda geração de insetos nascidos em laboratório voltaram a melhorar. Porém gostaria de ressaltar dois pontos: em primeiro lugar, as taxas de mortalidade e anomalias nas borboletas da primeira geração, que receberam erva-azeda contaminada, são ainda muito elevadas. E, em segundo, não é possível descartar na segunda geração danos nos genomas, mesmo se as taxas de sobrevivência e normalidade se elevaram graças à alimentação saudável originárias de Okinawa.
No simpósio, um dos presentes se manifestou. Ele projetou os nossos resultados sobre os seres humanos e disse que era problemático que os filhos de pais contaminados por radioatividade em Chernobyl permanecessem na região, alimentando-se até hoje de produtos irradiados.
De fato, escuta-se muito que algumas crianças de Chernobyl sofrem de diversos problemas físicos e psicológicos. Muitas cometem suicídio. Ou que os pais não aguentam a pressão das crianças e terminam abandonando as famílias.
Também as pessoas de Fukushima que foram para Okinawa sofrem de diferentes sintomas. Essas vítimas da radioatividade precisam ser bem acolhidas na sociedade. Elas necessitam de pontos de apoio para ter acesso às terapias e aconselhamentos necessários.
Nós precisamos aprender com as experiências de Chernobyl e, necessariamente, estabelecer pontos de contato para a troca de informações para que as pessoas não sejam abandonadas a si próprio. Além da minha pesquisa, procuro também, juntamente com algumas pessoas transferidas de Fukushima para Okinawa, possibilidades para a realização desses pontos de apoio.

***Leia mais ainda sobre o tema em:
http://bmcevolbiol.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12862-014-0193-0
Chiyo Nohara (1955 – 2015)
A pesquisadores fundou sob a supervisão do professor Joji Otaki, da Universidade de Ryukyu, um grupo de pesquisa sobre as consequências da catástrofe nuclear de Fukushima sobre borboletas.
Antes trabalhava na Universidade de Aichi como professora de auditoria para a administração pública.
Na Escola Graduada de Engenharia e Ciência na Universidade de Ryukyu, ela concluiu a primeira metade do programa de doutorado na área de ciências marítimas e do meio ambiente.
Ela faleceu em 28 de outubro de 2015, na ilha de Okinawa, depois de uma longa doença.