sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Animais sobrevivem ao comer borboletas tóxicas, e agora sabemos como.

 Diversos artrópodes, como borboletas, pulgões e besouros podem se alimentar de plantas tóxicas e absorver as toxinas para seu corpo.

https://socientifica.com.br/animais-sobrevivem-ao-comer-borboletas-toxicas-e-agora-sabemos-como/

Imagem: Yolanda Coervers / Pixabay

Nesse sentido, certos pássaros e roedores podem ainda comer essas borboletas tóxicas e outros insetos. Agora pesquisadores podem ter descoberto como os predadores não morrem pela sua refeição.

De acordo com a nova pesquisa, publicada no periódico Current Biology, tanto os predadores quanto as borboletas tóxicas têm mutações em lugares semelhantes de seus genomas. Essas mutações, por conseguinte, conferem proteção contra as toxinas produzidas pelas plantas da família Apocynaceae, que têm uma seiva leitosa e tóxica.

As famosas borboletas-monarca, contudo, se alimentam dessa seiva desde seus estágios larvais. Estudos anteriores, ademais, confirmaram que estas borboletas não sofrem a ação da toxina, e na verdade guardam o veneno em seu corpo para proteção contra predadores. Outros insetos, como pulgões, também podem se alimentar da seiva, e pesquisadores acreditam que o mecanismo seja semelhante.


Imagem: simardfrancois / Pixabay 

Ademais, animais como o pássaro Pheucticus melanocephalus, ou grosbeak, podem se alimentar das borboletas-monarca também sem sofrer ação da toxina. Como é de se imaginar, isso levou pesquisadores a imaginarem como tal resistência seria possível.

Como mutações protegem predadores das borboletas tóxicas?

As toxinas citadas acima são da família dos cardioglicosídeos. Uma vez dentro do corpo da vítima, se em quantidades suficientes, um cardioglicosídeo irá bloquear as bombas de sódio e potássio presentes no tecido cardíaco. Isso impede a transmissão do impulso nervoso e causa consequente falência cardíaca.

Acontece que as borboletas tóxicas possuem mutações nos nucleotídeos que codificam para a formação das bombas de sódio e potássio. Essas mutações evitam o bloqueio da função quando em contato com um cardioglicosídeo. Assim, as borboletas-monarca conseguem armazenar a toxina em suas asas e tórax sem morrerem por conta disso.

Por convergência evolutiva, então, os predadores destas borboletas desenvolveram mutações altamente semelhantes. Mesmo vespas que comem ovos das borboletas (Trichogramma pretiosum) apresentaram a resistência em suas bombas de sódio e potássio.


Imagem: Mabel Amber / Pixabay

O rato Peromyscus maniculatus e o nematódeo Steinernema carpocapsae também apresentam as mesmas mutações. O rato se alimenta diretamente das borboletas tóxicas, enquanto o verme vive no solo próximo às plantas venenosas.

“É memorável que a convergência evolutiva ocorreu a nível molecular em todos estes animais,” afirma o autor Simon Groen em uma declaração. “Toxinas de plantas causaram mudanças evolutivas ao longo de pelo menos três níveis da cadeia alimentar.”

A pesquisa está disponível no periódico Current Biology.

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0960982221014147


Cuidado comigo! Não sou bicho para seu bico.



Gralha se alimentando da borboleta Monarca
(desenho baseado em foto de *Lincoln Brower*)


Esta é a original e  famosa foto "Barfing Blue Jay" do Dr. Brown, de um pássaro vomitando depois de comer Monarcas, provou que os Monarcas não têm um gosto bom. Foto cedida pelo Dr. Lincoln Brower.




terça-feira, 17 de agosto de 2021

Catálogo de borboletas.

 

Catálogo de borboletas do Parque Estadual Intervales, São Paulo, Brasil.




Leila T. ShiraiMariana A. Stanton


Este catálogo faz parte do material de divulgação científica do projeto de levantamento da fauna de borboletas do Parque Estadual Intervales e arredores. Uma versão impressa pode ser adquirida com a autora (leshirai no Instagram), ou no restaurante do parque. Se você estiver no parque, visite o mostruário de borboletas na recepção!


Você encontra o link para download do catálogo no nosso site: https://www2.ib.unicamp.br/labor/site/


Para mais informações:
1) Shirai, L. T., Mota, L. L., & Freitas, A. V. (2017). Scientific Note: Aggregation of Epityches eupompe (Nymphalidae: Ithomiini) in southern Brazil. Tropical Lepidoptera Research.
2) Shirai et al. The  butterflies (Lepidoptera, Papilionoidea) of the Parque Estadual Intervales and surroundings, São Paulo, Brazil - a ser submetido para Biota Neotropica
3) Shirai et al. Interaction gardens and butterfly catalogues: a joint strategy to promote capacity development in protected areas and reduce the extinction of experience in cities - a ser submetido para Cities & Environment

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Como criar borboletas.

 

O primeiro passo para se iniciar a criação amadora de borboletas é a captura dos ovos e das lagarta.





As borboletas são insetos que, junto às Mariposas, constituem a ordem dos Lepidópteros, palavra grega que significa asas cobertas por escamas microscópicas imbricadas (como telhado) que, na verdade, são pelos modificados e achatados. O Brasil conta com mais de 3.200 espécies já identificadas, mas a extensão imensa de nossas florestas, em boa parte virgens ou pouco conhecidas, indica que a descoberta de numerosas outras espécies é apenas uma questão de tempo, estudo e pesquisas – e proteção, naturalmente.

Onde há borboletas, o meio ambiente pode ser considerado normal, restaurado, ou melhor, saudável. Já onde elas diminuem ou desaparecem é um indicador sério e evidente de que o meio ambiente da região se encontra ameaçado ou mesmo condenado. A conscientização em defesa e proteção do meio ambiente passa pela defesa e proteção das borboletas, pois sua existência é o mais precioso indicador para essa avaliação.

Os gregos chamavam a borboleta de psyché (alma). Muitos povos ainda acreditam que as borboletas são as almas das pessoas mortas, procurando, assim, explicar a visita desses antepassados em determinadas épocas. As histórias de todas as épocas e regiões são muito ricas em sentimento, procurando explicar a presença das borboletas no aniversário da morte de algum ente querido ou de outro acontecimento marcante da família.


“As borboletas sempre exerceram especial fascinação em todos os povos, inclusive, atualmente, talvez devido a seu voo livre majestoso, de seu formato e cores maravilhosas, aproximando-as dos céus”, afirma o professor Osmar Salles de Figueiredo,(in memoriam) do curso Criação de Borboletas, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.


Na dura luta pela sobrevivência, as borboletas enfrentam uma multidão de predadores. São eles: as formigas, as aranhas, os louva-a-deus, as vespas, os sapos, os macacos, os lagartos, os ratos, os passarinhos, as lagartixas, os fungos e o homem, este seu pior predador. Enfim, parece até que todos os animais são seus predadores. Isso ocorre pelo fato de as borboletas serem inocentes, puras, indefesas, livres e, principalmente, belas.


Captura


O primeiro passo para se iniciar a criação amadora (não profissional) de borboletas é a captura dos ovos e das lagartas, procurando-os nas plantas dos bosques, jardins, pomares, enfim, onde haja plantas e flores, pois as flores são um grande atrativo para as borboletas. Em geral, os ovos e as lagartas estão localizados na parte inferior das folhas, como forma de proteção aos predadores. Os ovos podem estar dispostos em conjunto, em grandes quantidades, ou espalhados, um ou poucos ovos, por várias folhas e mesmo várias árvores, variando de cor e tamanho. Muitos são bem pequenos, difíceis de serem observados.


Coleta 


Ovos de borboleta do gênero Caligo sp.


Lagartas de  Morfo aquiles 


Encontrados os ovos, são eles recolhidos, com cuidado, sendo ideal cortar a folha inteira ou um pedaço, para não machucá-los. Se preferirem, usar um pincel de pintura para retirá-los das folhas. Em ambos os casos, colocá-los em uma vasilha de plástico com tampa, de tamanho variável entre 250cc, 500cc até um 1.000cc (um litro). Furar a tampa com um estilete, com vários furos, para proporcionar a entrada do ar. É indispensável colocar folhas, principalmente, os brotinhos novos, no caso dos ovos, pois são preferidos pelas pequenas lagartas, quando picam os ovos para nascer.

Após comerem o próprio ovo, rico em nutrientes, as lagartinhas passam a comer as folhinhas novas. Somente após uma ou duas semanas, passarão a comer as folhas mais velhas. No caso da coleta de lagartas, proceder da mesma forma, procurando identificar a planta hospedeira, pois para cada espécie de borboleta há uma planta hospedeira específica, muitas vezes única. Se forem novinhas, brotinhos novos maiores, alimentá-las com folhas normais. Se forem muitos os ovos ou as lagartas, distribuí-los por várias vasilhas.


Tratos diários das lagartas


Lagarta de  Morfo aquiles 

Importante precaução é a de limpar, diariamente, as fezes que as lagartas expelem. Como a alimentação é feita, especialmente à noite, aproveitar o período da manhã para essa limpeza, trocando-se as vasilhas por outras lavadas e limpas, com folhas da planta hospedeira, ou pedaços de folhas novas. Os ovos eclodem em poucos dias. Muitas vezes, os ovos são de outros insetos, talvez até de predadores, moscas e vespas. É preciso cuidado!

As vasilhas de plástico devem ser colocadas em lugar bem iluminado, sem ser com sol direto, e protegidas de predadores. Calor e umidade são indispensáveis. Observar, constantemente, o crescimento das lagartas, pois algumas espécies são de hábitos canibais. Nesse caso, colocar poucas lagartas para cada vasilha. Após várias trocas de pele (ecdises), ao atingirem o tamanho adulto, as lagartas procuram a parte superior da vasilha, a tampa, para se transformarem em pupa, coladas por cola que segregam. A transformação da pupa em borboleta demora entre 6 e 20 dias normalmente.


Manejo das pupas

Pupa de  Morfo aquiles 


Nessa fase de pupas, elas podem ser retiradas e dependuradas por um alfinete, em uma superfície mole, como espuma. Depois de um período pequeno, de poucos dias, de 4 a 12, as borboletas rompem a casca da crisálida e nascem, ficando de cabeça para baixo, para que a força da gravidade ajude na expansão das asas, que estão moles e úmidas, injetando hemolinfa e ar nas veias das asas. Após algumas horas, com as asas secas e distendidas, a borboleta está apta e voar.


Alimentação


Fruto fermentado

Néctar.

Ao iniciar o voo, a borboleta vai procurar se alimentar do néctar das flores. Para isso, é importante que o local contenha flores. Algumas espécies, como a olho de coruja, alimentam- se de frutas em decomposição. Pode-se fazer a alimentação artificial, com pires rasos, onde se coloca uma mistura de água, açúcar e mel. Pode-se recorrer também aos conhecidos bebedores para beija-flores.


Acasalamento

acasalamento é a principal função da borboleta adulta. As fêmeas procuram , imediatamente, a planta hospedeira para fazerem a oviposição. Os machos também procuram as plantas hospedeiras, pois sabem que é lá onde as fêmeas irão. Muitas vezes, a borboleta fêmea está ainda nascendo, na fase de distender e secar as asas, quando é fecundada pelo macho. O esperma é depositado em uma bolsa no interior do abdome.

Por ocasião da oviposição, a fêmea expele um ovo e comprime essa bolsa para que haja a fecundação. Assim, a fecundação ocorre um segundo antes de ser botado. Convém observar que, às vezes, os ovos são colocados próximos, e não na planta hospedeira, mas sempre facilitando para que as lagartinhas possam encontrar o seu alimento.

Temos aí todas as fases da criação, desde a coleta dos ovos e lagartas, o nascimento das borboletas e a repetição do ciclo de acasalamento e oviposição. 

Mas, cumpre lembrar que cada espécie de borboleta possui um ciclo diferente de vida, tanto na fase de lagarta, como da própria borboleta, variando o ciclo de um mês, para o caso da borboleta da couve, até mais de seis meses, ou mais, para outras.


Publicação Original IPT.

https://www.cpt.com.br/cursos-pequenascriacoes/artigos/como-criar-borboletas


Fotos Borboleta Capitão do Mato:

https://borboletasbr.blogspot.com/2015/06/borboletas-da-representacao-mistica.html

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Meus respeitos e devidos créditos ao nosso querido mestre e  mentor o Sr. Osmar Salles Figueiredo. 

Sr. Osmar Salles Figueiredo. 


Como montar um borboletario?













segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

A mariposa Beija-flor.

Pesquisador do IBB Unesp de Botucatu sugere novo “disfarce” de mariposas.


Um novo tipo de mimetismo?

 Disfarçada de beija-flor, mariposa pode evitar virar almoço. Aves insetívoras não reconheceriam o invertebrado como presa potencial, de acordo com proposta de novo tipo de mimetismo.




(Relembrando)

Durante suas viagens pela bacia amazônica no século XIX, o naturalista britânico Henry Walter Bates (1825-1892) observou, em meio a uma infinidade de aspectos da flora e da fauna que entraram para os anais da história natural, mariposas diurnas que pairavam como beija-flores ao se alimentarem de néctar. Eram parecidas a ponto de ele várias vezes abater os insetos na intenção de capturar a ave.

Henry Bates
Henry Walter Bates

“Só depois de vários dias de experiência aprendi a distinguir um do outro quando em voo”, relatou em seu livro Um naturalista no rio Amazonas, publicado em 1863, sobre insetos do gênero Aellopos em Caripi, na baía de Marajó, Pará.


O biólogo e professor Felipe Amorim pode ter chegado na descoberta ao estudar mariposas.


O pesquisador Felipe Amorim, biólogo e professor de ecologia no Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu pode ter descoberto uma nova forma de mimetismo ao estudar mariposas. Mimetismo é uma artimanha dos animais para evitar predadores e existem dois tipos mais conhecidos.

O primeiro é o Batesiano, observado nas cobras-corais falsas, por exemplo, que imitam a coloração das corais verdadeiras, cuja peçonha é altamente letal, o que leva os predadores a evitá-la devido ao grande risco de predar um animal de grande periculosidade.

O segundo tipo é chamado de Mülleriano, observado em algumas espécies de borboleta, que são tóxicas ou possuem sabor desagradável ao paladar dos predadores, e ao imitarem umas as outras reforçam o sinal de advertência. Isso ocorre nas borboletas vice-rei (Limenitisarchippus), por exemplo, que ao imitarem as borboletas-monarca (Danausplexippus), que têm sabor desagradável, acabam afastando os predadores. Resumindo: esse tipo de mimetismo acontece quando duas ou mais espécies distintas de animais imitam a cor, comportamento, formato ou outras características uns dos outros, que são indesejáveis a seus predadores.

Porém, o estudo do pesquisador Felipe Amorim sugere que exista um tipo de mimetismo ainda não classificado, cujo mímico (animal imitador) não gera uma reação negativa ou de advertência aos predadores, mas, ao contrário, gera a sua completa indiferença.

Amorim estuda esfingídeos, uma família de mariposas polinizadoras que pertencem à família Sphingidae.  Embora a maioria dos esfingídeos sejam noturnos, existem algumas espécies diurnas. No Brasil, elas são representadas principalmente pelas espécies do gênero Aellopos, que lembram muito um beija-flor. Observando essas mariposas, ele percebeu que, apesar de não gerar nenhuma reação de advertência ao predador, como nos dois tipos de mimetismo mais conhecidos, por parecer-se com um beija-flor, os predadores, que são animais insetívoros (que comem insetos), simplesmente não consideram comê-las.

O trabalho foi publicado recentemente na revista Ecology  e, segundo Amorim, abre uma excelente oportunidade para que seja testada uma nova hipótese científica, que caso seja confirmada, possibilitará a descrição de um novo tipo de mimetismo na natureza. Portanto, o próximo passo do estudo será a realização de alguns experimentos para testar a hipótese proposta. Serão realizados, por exemplo, experimentos de predação em condições controladas, que consistirão em colocar a mariposa junto com os predadores em potencial (normalmente aves, como bem-te-vis e sabiás), para observar a sua resposta em relação à mariposa beija-flor. Dessa forma, o pesquisador saberá se a hipótese no novo tipo de mimetismo poderá ser aceita ou não.

Fonte: https://acontecebotucatu.com.br/ecologia/pesquisador-do-ibb-unesp-de-botucatu-sugere-novo-disfarce-de-mariposas/

https://biologo.com.br/bio/um-novo-tipo-de-mimetismo/

https://revistapesquisa.fapesp.br/disfarcada-de-beija-flor-mariposa-pode-evitar-virar-almoco/


sexta-feira, 24 de julho de 2020

Como atrair borboletas.

Aprenda dicas simples para atrair borboletas para o quintal até mesmo nas grandes cidades e conheça as espécies mais frequentes, as árvores preferidas e os frutos que cativam esses insetos.


Árvores, frutas e flores auxiliam no contato com borboletas mesmo em grandes cidades — Foto: Rudimar Narciso Cipriani/Acervo Pessoal.


Ter perto de si o principal símbolo da renovação parece trazer sorte e esperança. Os sentimentos, tão necessários em fases difíceis como a que passamos, ainda ganham forma com o colorido das borboletas. Tentar cativá-las para a visita aos quintais e jardins, porém, depende de certos conhecimentos e, buscando isso, o Terra da Gente conversou com especialistas nesses insetos para descobrir as principais estratégias para atrair as lindas voadoras.


As borboletas são alguns dos animais que realizam a completa metamorfose, passando de ovos, lagartas, pupas até a formação adulta. Para atraí-las utilizando árvores, flores e frutos precisamos de dois tipos de informação: quais são as espécies que usadas pelas lagartas e quais espécies são as favoritas das borboletas.


Brassolis sophorae é conhecida como borboleta do coqueiro e é comum de ser identificada em áreas urbanas também — Foto: Pedro Alvaro Neves/Acervo Pessoal


O contato com as borboletas é uma forma de se aproximar da natureza, o que pode trazer benefícios à saúde, como o alívio de estresse e aumento do bem-estar
— Aline Vieira (aluna de mestrado em Ecologia do LABBOR)


O que plantar? O professor do Departamento de Biologia Animal da Unicamp, André Victor Lucci Freitas, especialista nesses insetos, destaca como “queridinhas” das lagartas o manacá verdadeiro, o maracujá, o tomate de árvore, a couve e as palmeiras, dentre outras. Já, para as borboletas, a estrela-do-egito, lantana, verbena, lavanda, flamboyânzinho, flor-de-mel e as margaridas.


Veja algumas das espécies de plantas citadas para atrair lagartas e borboletas para os quintais
— Foto: Arte/TG


Se todas as árvores coloridas podem parecer capazes de conquistar esses animais, a beleza que chama atenção dos olhos humanos, não garante completamente a visita. A principal busca delas é pela facilidade de extração do néctar para a alimentação. Assim, a oferta de água adoçada em bebedouros de beija-flores e até de frutas pode ajudar a aproximar essas famintas.


“Apesar de espécies frugívoras serem raras nas cidades, colocar frutas pode atrair aves também, o que é bom de qualquer modo. Pode-se usar bananas, mamão e goiaba. Essas são as mais atrativas”, comenta o professor. Tanto plantar árvores dessas espécies quanto dispô-las em comedouros são boas iniciativas, porém o fruto deve estar em decomposição para agradar o paladar das borboletas, já que elas se alimentam do líquido liberado pela fruta quando fermentada.

Frutas fermentadas dispostas em comedouros ou em árvores são capazes de atrair borboletas — Foto: André Victor Lucci Freitas/Acervo Pessoal

As espécies mais conhecidas, mesmo em áreas urbanas, são: borboleta-do-manacá (Methona themisto), borboleta-da-couve (Ascia monuste), borboleta-do-maracujá (Dione juno, Agraulis vanillae e Heliconius) e as espécies de borboletas-do-coqueiro (Brassolis spp.)


Borboleta-do-manacá e borboleta-do-maracujá são exemplos de espécies que frequentam os jardins em áreas urbanas — Foto: Gabriela Brumatti/TG e Valeria Vieira/Acervo Pessoal

Quando elas chegam? 
Algumas condições do ambiente aumentam a frequência das visitantes, como um clima ameno e úmido. Assim, áreas próximas à regiões arborizadas garantem mais diversidade de espécies. “Além disso, outro fator importante é a incidência de luz solar no jardim. 
Quanto mais tempo o jardim for coberto por sol, melhor será para as borboletas, já que elas necessitam do calor do sol para manter sua atividade e voar”, reforça Aline Vieira, mestranda em Ecologia pelo Laboratório de Borboletas da Unicamp (LABBOR).
Exatamente por esse motivo, estações mais quentes, como a Primavera e o Verão, são as favoritas das borboletas. Com o acesso ampliado aos recursos, graças à floração e frutificação de diversas espécies, elas usam dois sentidos principais para detectar esses ambientes. “As lagartas têm baixa mobilidade. Assim, as fêmeas de borboletas encontram as plantas pelo cheiro, forma e cor, ou seja, usam visão e olfato”, explica o professor da Unicamp.


Borboleta-da-couve é uma espécie muito conhecida mesmo em áreas urbanizadas e pode ser atraída com certas plantas — Foto: André Victor Lucci Freitas/Acervo Pessoal

Como se comportam? Quando as adultas percebem um lugar ideal para o desenvolvimento, geralmente levam em consideração também os “pratos preferidos” das lagartas. Como elas não são capazes de se alimentarem de qualquer planta, dependem dessas hospedeiras para o seu desenvolvimento pleno. No entanto, é possível que procurem outros locais para se tornarem pupas.

É o que explica a doutoranda em Ecologia do LABBOR, Luísa Mota: “elas são vistas caminhando fora de suas plantas hospedeiras, procurando um local apropriado para passar a fase de pupa. Muitas vezes, as encontramos em troncos ou mesmo muros e paredes, bem afastados das plantas que se alimentaram”. Nessa dispersão pelos jardins, as lagartas funcionam também como base da alimentação de muitos insetos e aves, tanto nas cidades quanto nas florestas.


Em fase de pré-pupa, manchas laterais da lagarta começam a ficar amareladas e o inseto inicia o processo de tecer uma seda que o fixa na folha — Foto: Pedro Alvaro Neves/Acervo Pessoal.

Há riscos ou vantagens? Ao contrário do que dizem alguns mitos populares, borboletas não são capazes de cegar com o “pózinho” liberado pelas escamas de suas asas e não oferecerem qualquer perigo. A presença delas nos jardins só reflete o alto nível da qualidade de vida naquele ambiente e favorece a polinização. 
“O único risco [de tê-las por perto] é querer mais e mais borboletas em nossas casas”, brinca André Victor.


Borboleta do manacá recebe o nome por conta da planta devorada por suas lagartas — Foto: Luísa L. Mota/Acervo Pessoal

Já as lagartas de borboletas, de forma geral, não "queimam" (já que pelos e espinhos urticantes são mais comuns em lagartas de mariposas) ainda assim o ideal é não tocá-las. Outro ponto que pode parecer negativo é a capacidade desses insetos de devorar as plantas das quais se alimentam. Permanecendo meses se alimentando de grandes quantidades, podem desfolhar bastante uma árvore ou arbusto, levando em alguns casos à diminuição do crescimento ou da produção de flores e frutos. Porém, raramente, isso leva à morte dessas plantas, que se recuperam rapidamente quando as lagartas completam seu ciclo.


Pupa de borboleta-do-coqueiro apresenta a fase que antecede a formação do indivíduo adulto — Foto: Pedro Alvaro Neves/Acervo Pessoal

“Muitas vezes, queremos as borboletas perto de nós, mas não pensamos o mesmo sobre as lagartas e não temos paciência com os danos que elas causam às plantas. Mas é bom lembrar da frase de Antoine de Saint-Exupéry em O Pequeno Príncipe: ‘É preciso que eu suporte duas ou três lagartas se quiser conhecer as borboletas’”, descrevem as pesquisadoras.


Reprodução das borboletas dá origem aos ovos que são depositados nas folhas das plantas usadas como alimento pelas lagartas — Foto: Gabriela Brumatti/TG.

Créditos:
Por Terra da Gente
 
André Victor Lucci Freitas e o colega Pedro Alvaro Neves que muito admiro.