segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Phoebis s. sennae (Linnaeus, 1758)


Pieridae Coliadinae,






Pieridae Coliadinae,


Biologia:
Adultos podem chegar a uma envergadura de até 10 cm e podem ser encontradas em jardins e bordas de matas voando rapidamente, desde o nível do chão até as copas das arvores mais altas.
A postura e feita em brotos ou nas folhas jovens de Cássia sp., onde as lagartas se desenvolvem, confundindo se com as cores da planta e tornando-se imperceptíveis quando em repouso.
A Pupa é característica do Pierídeos e os adultos , quando emergem, em poucos minutos voam e logo se vê em bandos.
Na fase inicial adulta, os machos procuram poças ou terrenos úmidos a procura de substâncias ricas em nitratos para sua maturação sexual.



                                                                    

Plantas hospedeiras: Cássia SP (Senna SP)

Common name: Coffee Senna, coffeeweed, Negro coffee • Hindi: Kasunda, Bari kasondi • Marathi: ran-takda, kasivda, kasoda, rankasvinda • Tamil: Nattam takarai, Payaverai • Malayalam: Mattantakara • Telugu: Thangedu • Kannada: Kolthogache • Bengali: Kalkashunda • Oriya: Kasundri • Urdu: Kasonji • Assamese: Hant-thenga • Gujarati: Kasundri • Sanskrit: Kasamarda, Vimarda, Arimarda
Botanical name: Cassia occidentalis   
Family: Caesalpiniaceae (Gulmohar family)
Synonyms: Senna occidentalis

Pode ocorrer em: Senna alata

Common name: Candle bush, Ringworm shrub, Dadmurdan (Hindi), Seemaiagathi (Tamil), Simayakatti (Malayalam)
Botanical name: Senna alata       Family: Caesalpiniaceae (Gulmohar family)
Synonyms: Cassia alata


Lagartas de Phoebis s. sennae (Linnaeus, 1758)

A postura é feita durante alguns dias e em praticamente todos os botões e flores.Como sinalizado pelo próprio nome, a Senna é a hospedeira da Phoebis sennae.
Preferência por alimentar-se das folhas jovens e flores. Até o momento, o mimetismo é bom, embora a ação seja predatória, diariamente há mais flores caídas e perdidas pelo chão do que consumidas por lagartas.

Passado mais um dia, anéis escuros surgem no corpo da lagarta. E uma dúvida: a flor da Senna não dura muito na árvore e o momento em que se desprende não parece ser tão “previsível”. Embora uma lagarta talvez tenha apurado sentidos para tal, espantou-me a tranquilidade com que repousava e se alimentava sobre as flores, como se este fosse o local mais seguro do mundo. O mistério foi resolvido ao observar que as flores que haviam sido quase totalmente devoradas continuavam ali penduradas: a lagarta faz alguns percursos rodeando a flor, pedicelo e galhos deixando uma teia bem fina que serve de sustentação. 

Lagartas de Phoebis s. sennae (Linnaeus, 1758)

. A engenharia sustenta a flor de forma a não deixá-la cair mesmo após murchar, com o peso da lagarta e ainda sob ventos. Parece que aí reside a confiança da lagarta em deleitar-se sobre flores que, de outro modo, logo estariam no chão.
Pupa

Mais alguns dias,  e a lagarta está completamente transformada: agora é uma crisálida (pupa). Engenharia, química, camuflagem (mimetismo), profundas transformações ocorrem em questão de horas. Não bastasse o intenso e complexo processo de transformação que o organismo terá de cumprir, ainda há codificação genética para que a crisálida tenha semelhança externa da própria folha de Senna (forma, textura e cor).




Lagartas de Phoebis s. sennae (Linnaeus, 1758)

Sob luz artificial o mimetismo desaparece: a crisálida brilha de forma intensa, destacando-se da folhagem.
Examinando um pouco mais de perto a transformação da lagarta em crisálida…
O relógio biológico dispara seus sinais e então a lagarta terá pouco tempo para completar suas duas últimas tarefas: encontrar o local ideal para fixar-se e efetuar sua última “muda” (troca do exosqueleto), que culminará na formação da crisálida.



Lagartas de Phoebis s. sennae (Linnaeus, 1758)

Por meio de uma substância adesiva resistente, a lagarta fixa-se ao ramo pela parte traseira. Pela parte dianteira, tece um “laço” também fixado ao ramo e envolvendo-a aproximadamente pelo meio. Controlado por hormônios, o processo de muda e formação da crisálida terá início. Os anéis listrados descolorem rapidamente enquanto todo o corpo da lagarta começa a ser alterado de forma abrupta.



Lagartas de Phoebis s. sennae (Linnaeus, 1758)

Um rápido crescimento celular na região ventral logo abaixo da cabeça tem início. Ele toma a forma de uma “bolha” que logo percebemos ser a região que encapsulará as futuras asas. Essa é a mesma formação que mimetiza (camuflagem) a folha da planta. A postura inicial, se entendida como côncava, torna-se convexa. Desaparecem as pernas, forma-se completamente a cápsula que conterá as asas, uma ponta surge onde era a cabeça e no dorso (agora côncavo) forma-se a região que conterá as futuras pernas. Todo o processo ocorre em cerca de 3 horas.

O hormônio, responsável por iniciar o vertiginoso processo de mudança, ordena a fabricação de sucos digestivos que literalmente destroem grande parte do corpo da lagarta, transformando os órgãos internos em uma matéria cremosa: é a histólise. A histólise gera assim nutrientes, mas mantém vivas células não diferenciadas, os histoblastos.
Os histoblastos iniciam o processo de reconstrução do novo corpo: é a histogênese. Os nutrientes gerados pela histólise serão utilizados na histogênese.
As intensas alterações ocorridas parecem agora dar lugar à calmaria. Nesta fase, a capacidade de movimentar-se é reduzida ao mínimo e o que se vê seria bem melhor descrito como uma folha que qualquer outra coisa.
Bem, isso é o que parece. Uma fina camada separa sua aparente calma exterior de um conturbado e frenético mundo interior. Os últimos sete dias marcaram profundas mudanças. Mudanças que irão alterar o habitat e todo estilo de vida de até então. Novos órgãos foram criados, todos desenhados para cumprir a dura tarefa de sobreviver e perpetuar-se no novo mundo. São asas, aparelho sugador especializado para o néctar, sensores nas patas, antenas ultra-sensíveis, olhos compostos e que enxergam ultravioleta, desenhos identificadores do gênero e de alerta e a capacidade de reprodução


Pupa de Phoebis s. sennae (Linnaeus, 1758)

A dois dias da eclosão, as asas tornam-se opacas, marcando o início do processo de coloração e maturação. Também os olhos escurecem. A membrana do casulo começa a ficar translúcida. Já é possível ver as asas praticamente formadas através dela.
Quanto tempo leva uma lagarta para voar?
Infinito para ela, nove dias para nós. A natureza reserva ainda alguns segredos antes de libertá-la do casulo: aguarda a chegada das horas mais serenas da madrugada, para evitar os algozes.
Um par de horas antes a membrana torna-se cada vez mais translúcida até que a linha de ruptura se parte.
Esgueira-se por aí a mais nova borboleta do mundo.
Aqui ou em qualquer outra parte do planeta, a Phoebis sennae cumpre, da mesma forma, mais uma de suas fases, geneticamente traçadas. Responde ao vento como uma folha. Assim, o ser que nasce duas vezes aguarda a distensão e consistência das suas asas.
São três horas. Em mais três experimentará o primeiro vôo.




Fonte (principal): http://en.wikipedia.org/wiki/Metamorphosis
- A metamorfose da Phoebis sennae é dita completa (holometabolismo)
-    Para quem quiser acompanhar praticamente todo o processo, sugiro ver o vídeo de jcmegabyte.   ..

E se quiser ver ao vivo, plante uma Senna!


Um comentário:

  1. Maravilhosa a sua apresentação. Wow a seleção de músicas, texto bem redigido , tudo perfeito. Fiquei emocionada, obrigada e saudações da brazuquinha Nece from Florida.

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