quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Lagartas

O que são?

As lagartas ou taturanas (tata=fogo, rana=semelhante) são larvas de um grupo de insetos conhecido como Lepidópteros (lepido=escamas, ptera=asa). Este grupo abrange as borboletas e mariposas, que são os indivíduos adultos. Quando se acasalam, põem os ovos em uma planta da qual as lagartas irão se alimentar. Nesta fase as lagartas trocam de pele diversas vezes até formarem um casulo no qual irão sofrer metamorfose para se transformar em uma borboleta ou mariposa, recomeçando o ciclo de vida.

E quanto ao veneno?

Nem todas as lagartas possuem veneno. Apenas as lagartas de mariposa podem causar acidentes, o chamado erucismo (eruca=larva; erucismo é o envenenamento causado por uma larva de mariposa). O contato com as lagartas causa queimadura e dor, não havendo lesões mais graves, exceto quando o acidente ocorre com Lonomia obliqua, a qual pode causar um quadro hemorrágico.
No Brasil existem aproximadamente 50.000 espécies de Lepidópteros, mas as principais espécies de importância médica são apenas 16 e pertencem a quatro famílias: Saturniidae, Megalopygidae, Actiidae e Limacodidae.

Família Saturniidae

As lagartas desta família se caracterizam por apresentarem espinhos em formato de pinheiros. As glândulas de veneno localizam-se na extremidade das ramificações destas estruturas. Estas lagartas costuman ficar agrupadas, dificilmente sendo encontradas sozinhas ou isoladas.





Lonomia obliqua

Podendo atingir 6 cm de comprimento, estas lagartas apresentam espinhos verdes sobre o corpo, chamados de scoli. O corpo é marrom escuro com uma faixa marrom (diferenciada do resto do corpo) que se estende por todo o dorso do inseto, sendo margeada por um estreito contorno preto, e este é limitado por um outro contorno branco mais externo Em Santa Catarina, estas lagartas ocorrem principalmente no Oeste. Acidentes causados por Lonomia são os mais perigosos porque, além de provocarem dor e queimadura, podem evoluir para quadros hemorrágicos.


                                             

Automeris sp.

Atingindo até 8 cm de comprimento, elas possuem espinhos e corpo de coloração verde-claro, com manchas brancas laterais. Depois da metamorfose, no casulo, chegam a fase adulta e são conhecidas como mariposas olho-de-boi.


               

Automeris  ilustris


Automeris leucanela

 

Megalopyge lanata

Estas lagartas possuem o corpo branco com manchas pretas transversais e dorsais largas em cada segmento. Têm tufos de pêlos pretos, longos e curtos, e espinhos avermelhados na base destes tufos.

  


Podalia sp.

Possui o corpo amarelo, completamente coberto por tufos de “pêlos” de coloração variada, geralmente marrom. Recebem o nome popular de taturana ou lagarta-gatinho. Possuem curtas cerdas avermelhadas, secretores de toxinas, na base dos tufos de pêlo.

   

Família Limacodidae

 

Apresentam o corpo quase todo nu, com as cerdas de veneno restritas a pequenos aglomerados que se localizam na região anterior e posterior do animal. Também diferencian-se das outras famílias de mariposa por não apresentarem falsas pernas, locomovendo-se por ondulações da região ventral.  

Sibine sp.

Com cerca de 2 cm de comprimento. Têm o corpo verde claro, com cerdas apenas nas regiões anterior e posterior do corpo, em forma de pequenos tufos, através dos quais liberam o veneno. São comumente encontradas em limoeiros.




Phobetron sp.

Conhecida popularmente por lagarta-aranha, devido às projeções laterais de seu corpo que fazem lembrar uma aranha.

        


Família Arctiidae

Semelhantes às lagartas da família Megalopygidae, pois também apresentam cerdas que parecem pêlos escondendo as cerdas de veneno.




Lagartas de borboleta

Diferentemente das lagartas de mariposa, as lagartas de borboleta não apresentam cerdas (pêlos ou espinhos), tendo o dorso nu. Por não apresentarem as estruturas citadas, estes animais não causam nenhum tipo lesão.










Como prevenir acidentes

  • Os acidentes ocorrem geralmente na manipulação de árvores frutíferas e ornamentais (seringueiras, araticuns, cedro, figueiras do mato, ipês, pessegueiros, abacateiros, ameixeiras, etc.). Por isso, deve-se verificar previamente a presença de folhas roídas na copa, casulos e fezes de lagartas no solo com seu aspecto típico, semelhante a grãos dessecados de pimenta-do-reino;
  • Observar, durante o dia, os troncos das árvores, locais onde as larvas poderão estar agrupadas. À noite, as taturanas dirigem-se para as copas das árvores para se alimentarem das folhas;
  • Usar luvas de borracha para realizar atividades de jardinagem.

Primeiros socorros

  • Lavar imediatamente a área afetada com água e sabão;
  • Usar compressas com gelo ou água gelada que auxiliam no alívio da dor;
  • Procurar o serviço médico mais próximo;
  • Se possível, levar o animal para identificação.




BORBOLETAS – QUESTIONÁRIO


Nome do entrevistado: João Ângelo Cerignoni/Evoneo Berti Filho
Empresa: ESALQ/USP
Cargo na empresa e/ou profissão: Técnico e Professor
Cidade: Piracicaba, SP

Perguntas mais frequentes sobre borboletas:


O livro Borboletas, é uma produção científica lançada ,pelo professor Evoneo Berti Filho e o técnico de laboratório João Ângelo Cerignoni.


- Quantas espécies de borboletas existem no mundo? E no Brasil, qual o número?
Calcula-se que existam cerca de 150.000 espécies de borboletas e mariposas no mundo, incluindo o Brasil

- Qual a importância ecológica das borboletas? (avaliação tanto para o ecossistema em geral como para o jardim)
As borboletas são agentes polinizadores muito importantes nos mais diversos ecossistemas.  As borboletas visitam jardins muito floridos para se alimentar do néctar das flores e a gama de cores das muitas espécies tornam esses jardins  mais atraentes.Entretanto, jardins em áreas urbanas densamente povoadas, e consequentemente com altas taxas de  poluição, é  raro encontrar borboletas.

- Quais elementos podem atraí-las para o jardim? Por que?
Borboletas são atraídas  para os jardins localizados em área abertas, próximas de parques e bosques, porque tais áreas têm vegetação exuberante com diferentes espécies de plantas, portanto uma biodiversidade vegetal, que pode atrair muitas espécies de borboletas.

- E em relação às espécies vegetais (frutíferas e floríferas), quais atraem sua visita ao jardim? E por que elas se sentem atraídos por essas plantas?
As espécies vegetais que produzem flores atraem as borboletas para os jardins, onde elas buscam se alimentar do néctar.

- Algumas floríferas são bastante coloridas, como azaléia e primavera, mas não atraem borboleta. Por que isso ocorre?
Possivelmente devido a  baixa  quantidade ou atratividade do néctar dessas flores. Não existem informações precisas sobre este assunto.

- É correto manter comedouro no jardim para borboletas? Caso positivo, quais os cuidados necessários para não prejudicar esses insetos? O que pode ser “servido” a esses ilustres visitantes? Qual o melhor lugar do jardim para colocar os comedouros?
É possível colocar frutas abertas para alimentar muitas espécies de borboletas. O local mais adequado seria no centro do jardim e  deve ser sombreado.

- As borboletas podem estar presentes no jardim o ano todo ou existe um período de maior freqüência? Explique.
As espécies têm exigências térmicas e hídricas para o seu bom desenvolvimento. Normalmente as borboletas, e os insetos em geral, ocorrem nos meses do verão, quando a umidade é alta.

- Quais espécies de borboletas comumente visitam os jardins? Há aquelas que dificilmente se aproximam de áreas residenciais? Comente.
Depende da localização dos jardins.  Espécies que nunca se aproximam de áreas urbanas são aquelas cujos hábitos estão ligados à proteção, ao abrigo e à disposição de alimento em áreas de densa vegetação como os bosques e as florestas.

- Há elementos ou plantas que podem afugentar as borboletas do jardim? Quais? Por que?
Aves que nidificam próximo às áreas de parques e jardins podem predar borboletas adultas, e outros insetos, para alimentar seus filhotes.


- Quantas espécies existem de borboletas? 
Estima-se que em todo o mundo, existam aproximadamente 24.000 espécies de borboletas e 140.000 espécies de  mariposas.  A região tropical registra a maior densidade desses insetos, devido às condições propícias que oferece, com uma grande variedade de plantas, enquanto nenhuma ocorrência é verificada na Antártida.

- Quanto tempo de vida tem uma borboleta? 
As borboletas são a fase adulta das lagartas, que passam pelas fases de ovo, lagarta, pupa e adulto. Viram borboletas depois desta "metamorfose". Nesta fase, seu objetivo é unicamente a reprodução. Dependendo da espécie o tempo de vida em todo o ciclo, pode variar. Existe sim,  espécies que vivem  somente por 24 horas (na fase adulta), tempo suficiente para que se acasalem e coloquem seus ovos.

- Qual o papel da borboleta para a natureza? 
“Borboletas são indicadores de ambiente em equilíbrio”. Alem de que as borboletas são seres polinizadores importantíssimos, pois sem elas teríamos graves prejuízos à flora.

- Quais os locais que as borboletas vivem? 
Todos os ambientes naturais, podendo ocorrer também na zona urbana e podem ser criadas em criadouros especializados.

- O desmatamento afeta algumas espécies de borboletas. Porque?  
Infelizmente, chegamos a conclusão de que a ação do homem está dizimando os habitats naturais",  Os painéis  mostram uma floresta nativa e outro  ilustra uma área reflorestada. "Quanto menor a diversidade da flora, menor será a da fauna",
O resultado do desmatamento é o risco de extinção de algumas espécies até então comuns na região, como a Parides Neophilus, cujas asas pretas são marcadas por manchas vermelhas. "Elas se alimentam de plantas que só existem na ‘borda’ da mata. Quanto mais o homem avança, maior a dificuldade delas para sobreviver".

João Ângelo Cerignoni.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Ataque de lagartas de Cosmosoma teuthras.


ESCLARECIMENTO SOBRE AS LAGARTAS INVASORAS NO BAIRRO JUPIÁ.

O jornal "A Gazeta de Piracicaba"  publicou um artigo sobre centenas de lagartas que invadiram algumas casas na rua Umberto Provenzano, no Jupiá. Interessados no assunto, entramos em contato com o Senhor Nivaldo Basso, 67, morador da casa 218, uma das residências invadidas pelas lagartas. O senhor Nivaldo nos recebeu gentilmente e em uma rápida vistoria, percebemos que as lagartas não estavam atacando as plantas do quintal da casa, embora houvesse uma grande variedade de vegetais no local. No entanto, como já publicado na matéria anterior pela Gazeta, no final da rua há um terreno onde são criados cavalos e bois, além de uma área verde, local de onde, segundo o senhor Nivaldo, as lagartas teriam vindo. Assim, juntamente com o morador, fomos até a área indicada e pudemos constatar a presença das lagartas, agora já em menor quantidade, localizadas ainda na planta hospedeira, semelhante a uma trepadeira.
            As lagartas foram coletadas e criadas na planta hospedeira, identificada pelo Prof. Dr. Lindolpho Capellari Junior, professor de Depto de Ciências Biológicas da ESALQ/USP, como pertencente ao gênero Serjania, possivelmente tratando-se da espécie atrolineata, da Família Sapindaceae (mesma família do guaraná). Após a obtenção das pupas que ficam abrigadas dentro de um casulo de seda, foi possível obter as mariposas, para posterior  identificação da espécie.
            As mariposas pertencem a uma família chamada Arctiidae e foram identificadas pelo Prof. Dr. Sinval Silveira Neto, professor do Depto de Entomologia e Acarologia da ESALQ/USP, como pertencentes à espécie Cosmosoma teuthras, espécie comum em todo país e de hábitos noturnos.
            As lagartas desta família de mariposa não causam queimaduras, e ocorreram às centenas, devido à falta de inimigos naturais como fungos entomopatogênicos (fungos que só matam insetos) e outros patógenos, mesmo com a abundância de chuvas e calor, condições propícias a proliferação destes agentes de controle. Além disso, os ovos colocados pelas mariposas e, posteriormente as lagartas e pupas, não foram parasitados ou predados por uma série de outros inimigos naturais tais como: vespinhas, tesourinhas, aranhas, pássaros, etc, o que possibilitou a explosão da população de lagartas desta espécie que não é praga, mas que pode ocorrer, pelos motivos expostos, em “surtos”. 
            Devido à alta população de lagartas, a quantidade de folhas da planta hospedeira existente no local foi insuficiente, o que levou os insetos a procurarem por mais alimento. Nesta procura, acabaram por invadir as casas e não encontrando alimento nestes locais, morreram de  fome.
            [Patrícia Milano, Dra em Entomologia pela ESALQ/USP e, Fernanda Barbosa Lima, graduanda em biologia pela ESALQ/USP] 


Foto maior: Senhor Nivaldo segurando um ramo da planta infestada pelas lagartas, abaixo e à esquerda: lagartas; ao centro pupas e à direita, mariposa da espécie Cosmosoma tethras..

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Prefeitura de São José dos Campos inaugura do Borboletário Municipal no Parque da Cidade Roberto Burle Marx | Jornal Joseense News



Prefeitura de São José dos Campos inaugura do Borboletário Municipal no Parque da Cidade Roberto Burle Marx


A Prefeitura de São José dos Campos inaugura na quinta-feira (27), às 10h30, as instalações do futuro Borboletário Municipal, no Parque da Cidade Roberto Burle Marx, ao lado do estacionamento da Secretaria de Meio Ambiente.
O Borboletário é um viveiro para criação e exposição de borboletas para atividades de pesquisa, lazer e, especialmente, educação ambiental. Por meio de visitas monitoradas, a população poderá conhecer todas as fases da vida das borboletas, desde a postura dos ovos, o nascimento das lagartas, sua transformação em pupa/crisálida até a eclosão com o surgimento da borboleta.
O Borboletário “Asas de Vidro” (referência às diversas espécies de borboletas com asas transparentes que ocorrem no Parque da Cidade) tem um viveiro de 190 metros quadrados, sala de apresentação, berçário e um amplo jardim externo para atrair as borboletas livres. Os jardins, interno e externo, foram cuidadosamente projetados com plantas que servem de alimento para as borboletas e outras onde elas depositam seus ovos, chamadas de plantas alimento e plantas hospedeiras. Parte das borboletas criadas em laboratório serão soltas para repovoar o Parque.



O projeto do Borboletário vem sendo desenvolvido há cerca de dois anos pela equipe da Secretaria de Meio Ambiente, que realizou um estudo preliminar e identificou cerca de 30 espécies existentes no Parque da Cidade. A bióloga Rosana Oumura, que coordenou o levantamento, explica que o borboletário é uma excelente ferramenta de educação ambiental, além de ser um atrativo turístico. “As borboletas, com o seu processo delicado de metamorfose, encantam crianças e adultos, e isso pode ser explorado para demonstrar a importância da biodiversidade e da preservação ambiental.”
Visitação
A previsão para abertura do borboletário à visitação é fevereiro de 2013. Com a conclusão da obra, será expedida a licença de manejo pelo IBAMA, após vistoria, o que possibilitará o início da criação das borboletas e sua ambientação ao espaço do borboletário. O atendimento ao público será gratuito.



O projeto do borboletário envolveu a aprovação de diversos órgãos como o Conselho Municipal Patrimônio Histórico (COMPHAC), seguida do licenciamento junto a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e IBAMA. A bióloga Rosama Oumura esclareceu que o processo de licenciamento desta atividade é rigoroso, similar ao de um zoológico, já que se trata do manejo de espécies silvestres vivas. Para desenvolver o projeto de São José, a  equipe visitou os borboletários do Parque Mangal das Garças, em Belém (PA), de Campinas, Osasco, Diadema e Campos do Jordão.  
Foto: Charles de Moura/PMSJC   

Prefeitura de São José dos Campos inaugura do Borboletário Municipal no Parque da Cidade Roberto Burle Marx | Jornal Joseense News

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Grupo de pesquisa da UFMA utiliza borboletas para analisar impactos ambientais .



As borboletas são consideradas organismos modelos, pois são indicadoras de degradação ambiental




SÃO LUÍS - Asas azuis, amarelas, multicoloridas, de vários tamanhos e com uma beleza encantadora, são as características das lepidópteras ou simplesmente borboletas. Esses seres são extremamente úteis ao meio ambiente por atuarem como sinalizadores de degradação ou de preservação ambiental. Por sua importância na análise da área ecológica, esses insetos têm sido foco de um grupo de pesquisa formado pelos alunos do Curso de Biologia da UFMA, Lucas Pereira Martins, Leonardo Feitosa e Elias Soares, sob a coordenação a professora Gisele Garcia Azevedo e do professor do Museu de Zoologia, MZUSP, da Universidade de São Paulo, Marcelo Duarte.

A pesquisa, que conta com o apoio e o financiamento da Fapema, será desenvolvida até abril de 2013, em dois fragmentos de mata amazônica, localizados no município de São José de Ribamar. O grupo de pesquisa escolheu esses dois locais, considerando uma área impactada e outra menos impactada. Com essa diferenciação, será possível perceber a variedade e a quantidade de borboletas em cada área e mapear as espécies que se adaptam em cada uma dessas regiões. Como explica um dos membros o grupo de pesquisa, Lucas Pereira Martins, “as borboletas são consideradas organismos modelos, elas são indicadoras de impactos ambientais, pois têm o ciclo de vida curto e uma interação muito grande com o meio ambiente. Escolhemos dois fragmentos diferenciados e estamos verificando as características desses insetos e sua incidência para podermos fazer um mapeamento dessas regiões”, disse.

Muitos trabalhos em regiões tropicais, como a de São José de Ribamar, têm identificado o aumento do número de borboletas e uma maior riqueza em áreas perturbadas, o que pode ser característico desses ambientes, podendo favorecer tanto algumas espécies do ambiente original (não impactado) quanto espécies invasoras. Com essa observação, muitos pesquisadores entendem que algumas espécies, de fato, desaparecem de um sistema perturbado, enquanto outras podem ter suas populações aumentadas. Por isso, monitorar as comunidades dessas espécies de borboletas ao longo do tempo pode contribuir para a análise e a proteção dessas áreas, criando medidas que diminuam os efeitos da perturbação ambiental, antes que sejam irreversíveis.

Método e resultados parciais da pesquisa

Em um ano de pesquisa, foram capturados 204 indivíduos em armadilhas, compreendendo 26 espécies. O grupo tem colhido borboletas de duas guildas (tipos de borboletas), as frugívoras, que se alimentam de nutrientes de frutas fermentadas e seiva de plantas, e as nectarívoras, que se alimentam de néctar durante a vida adulta. Os pesquisadores capturam essas espécies e fazem a coleta de dados, nomes, espécies, tamanhos e áreas em que foram capturadas. Até o momento, segundo Lucas Pereira Martins, foi observado que tem uma grande diferença no número de borboletas nos dois fragmentos e diferenças na estação seca e chuvosa. “É interessante como elas estão ligadas diretamente ao período de chuva. Na época de maior pluviosidade tem mais borboletas e na seca tem menos”, frisa.

O grupo reparou, ainda, que as espécies entre os fragmentos não têm diferido muito, o que muda entre as áreas é a quantidade de borboletas. “Por incrível que pareça, no fragmento mais impactado tem tido maior número de borboletas do que o mais preservado, e algumas hipóteses é que o fragmento de mata impactado e o preservado não são distantes, e pode estar havendo uma transição de borboletas entre os espaços”, explica Lucas Martins. Segundo o pesquisador, se as áreas fossem muito distantes, na área impactada o número seria pequeno, mas se fosse só preservado o número seria bem maior.

Após o término da pesquisa, haverá a criação de uma coleção etimológica, com dados sobre as espécies de borboletas coletadas e suas características. A coleção será uma contribuição para as futuras pesquisas com lepidópteras e estará disponível para a visitação no curso de Biologia da UFMA. Será feito, ainda, um catálogo com fotos das borboletas e dados, para pesquisas futuras.

Museu de Zoologia da universidade de São Paulo

O Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (Mzusp) é referência mundial em zoologia e possui um acervo da fauna neotropical do planeta, com cerca de oito milhões de exemplares de animais. O professor Marcelo Duarte do MZUSP foi convidado pelo grupo a fazer parte da pesquisa devido a sua importante atuação na área de estudos sobre borboletas. Marcelo Duarte é, atualmente, professor doutor do Museu de Zoologia da USP e pesquisador associado do National Museum of Natural History, Washington, DC, EUA. Tem experiência na área de Zoologia, com ênfase em Sistemática, Taxonomia e Biologia de Lepidoptera, atuando principalmente nas áreas de Lepidoptera, sistemática, morfologia, taxonomia e Lycaenidae. 



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Lagartas são devoradas vivas.


Larvas de vespa que comem lagarta viva!




O que são estes ovos na lagarta?



Uma lagarta taturana que foi parasitada por micro-himenópteros, umas vespinhas bem pequenas ,sendo que suas larvas se desenvolveram no interior da lagarta e agora saíram para empupar, a lagarta ficou viva este tempo todo, só agora ela foi morrer.


Essas estruturas brancas presas na lagarta parecidas com ovos cilíndricos são na verdade pupas de uma vespa. Isso mesmo! Precisamos “começar do começo”… Bem, as vespas (insetos da mesma ordem das formigas e das abelhas) pertencentes, geralmente à família Braconidae, são conhecidas por serem insetos diminutos, com menos de 1 cm de cumprimento, no geral de cor escura que possui um ciclo de vida bastante interessante.
Essas vespas escolhem uma lagarta bem saudável e gordinha para iniciar seu ciclo reprodutivo. Cuidadosamente utilizam seu ovopositor para fazerem a postura de seus ovos (que podem chegar a 80) sob o tegumento (a pele) da lagarta. O processo é tão sutil que a lagarta mal percebe o que está acontecendo. Uma vez inoculados no corpo da pobre lagarta, os ovos amadurecem e então eclodem. Dali, saem larvas de vespas famintas que iniciam logo seu ritual macabro: elas devoram toda musculatura e vísceras da pobre lagarta, tomando os devidos cuidados para que seus órgãos vitais não sejam comprometidos logo, pois com a morte do hospedeiro, todo o ciclo não teria sucesso.
As larvas da vespa, se alimentam e crescem ali mesmo, dentro da lagarta, que a essas alturas já não está tão bem. Quando estão devidamente desenvolvidas e prontas para se tornarem adultas, “comem” o caminho de volta através da pele do hospedeiro e uma vez fora, pupam formando inúmeros casulos ovais e esbranquiçados do lado de fora do corpo da lagarta. Ficam ali presos torturando a pobre lagarta até que comecem a emergir desses casulos. Quando as últimas vespas saem de seus casulos a nossa lagarta já estará tão indefesa e enfraquecida que terminará morrendo.
Essas vespinhas são consideradas inimigas naturais das lagartas. E funcionam como um controle de pragas principalmente nas plantações de tomate. Então, queridos leitores, se virem uma infeliz lagarta carregando casulos por aí, saiba que um fantástico ciclo de vida de uma vespa está prestes a concluir!


Foto 1: Uma vespa escolhendo sua vítima, uma pobre lagarta gordinha e saudável!
Foto 2: Depois de comer a lagarta por dentro, as larvas empupam e ficam do lado de fora do corpo da lagarta.
Fotos 3 e 4 : Com o tempo começam a emergir vespas adultas e a lagarta, enfraquecida,  morre!


Um dos maiores problemas entre os cientista que estudam modificações de um hospedeiro causadas pelo parasita é separar entre o que é “intencional” e adaptativo para o parasita do que é uma simples consequência do processo. Por exemplo, você espirra quando está resfriado porque suas vias respiratórias estão irritadas ou porque essa é a maneira que o vírus encontrou de se espalhar? Não me lembro da resposta para essa pergunta, e se você tiver fique à vontade nos comentários. Já o caso que veremos abaixo não deixa dúvidas do quão capazes as vespas são de mudar o comportamento do hospedeiro intencionalmente.

Foto Thyrinteina sp


A lagarta da foto acima é de uma mariposa da espécie Thyrinteina leucocerae e se alimenta de folhas de goiabeira e de seu parente próximo, o eucalipto, também da família Myrtaceae. A goiabeira provavelmente convive com a lagarta por tempo suficiente para desenvolver defesas que mantém sua população baixa (lembre-se da dinâmica de interação parasita hospedeiro), já o eucalipto não, pois ele é uma planta exótica, trazida da Austrália recentemente, de maneira que esta lagarta causa bastante estrago em plantações. O grupo de Entomologia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa, estudando este problema encontrou uma interação realmente impressionante.


Uma vespa do gênero Glyptapanteles deposita seus ovos na lagarta, algumas vezes mais de 80. A lagarta continua se alimentando e crescendo, enquanto as larvas da vespa devoram a lagarta por dentro, tomando todo o cuidado para não consumir os órgãos vitais (pois é, a sabia natureza, cheia de paz e amor sempre), e acredite, isso não é incomum. Incomum é o que acontece depois. As larvas parasitódes saem da lagarta e formam casulos, para empupar enquanto amadurecem e passam para a fase adulta. Nesse período a lagarta para de se alimentar e passa a montar guarda, protegendo as pupas. Isso mesmo, ela protege as mesmas vespas que a devoraram, atacando com cabeçadas qualquer besouro ou percevejo que se aproxime, de maneira tão eficiente que morrem metade das pupas que morreriam se estivessem desprotegidas.
O comportamento é tão diferente, que se percebe com os dois vídeos abaixo, no primeiro uma lagarta não infectada não dá nem bola para o percevejo, no segundo a lagarta infectada, que está protegendo as pupas nos casulos, ataca com movimentos laterais o percevejo que se aproxima. O que faz isso com a lagarta? Cerca de duas larvas permanecem dentro da lagarta, provavelmente liberando substâncias que alteram o comportamento dela, e posteriormente morrem, junto com a pobre da lagarta. Intrigado com o altruísmo das larvas que se matam para o sucesso das irmãs? Aguarde algus textos que vc verá uma série de exemplos e motivos para isso.


Pois bem, isso é Controle Biológico, onde não se usa agrotóxicos de forma alguma.







terça-feira, 23 de outubro de 2012

Borboletas com asas de transparentes.


As incríveis borboletas com asas de vidro!

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Uma borboleta com asas transparentes? Sim, o nome científico dessa beleza da natureza é Greta oto, uma borboletinha da família Nymphalidae, subfamília Danainae, as famosas “borboletas de vidro” (em inglês, Glasswing ). As asas dessas borboletas são tão transparentes que podemos enxergar através delas como se realmente fossem asas de vidro.
A maioria das borboletas que conhecemos apresentam escamas coloridas muitas vezes com um padrão de desenhos que serve para afastar inimigos. As borboletas de vidro fazem isso de forma diferente. A evolução permitiu que essas espécies pudessem se esconder no ambiente uma vez que o corpo é esbelto e as asas que deveriam aparecer, são quase totalmente translúcidas. Se não fossem as veias escuras das asas, essas borboletas poderiam facilmente passar despercebidas, até mesmo para o olho humano.
As borboletas de vidro fazem parte de um grupo de borboletas conhecido como “Cleanwing”, ou seja, asas claras. A transparência na natureza é algo que não é bem compreendido, afinal, para ser transparente o tecido não pode refletir ou absorver luz. As asas dessas borboletas possuem a superfície com saliências que são tão pequenas que podem ser chamado submicroscópica. Eles têm um índice de refração único que não dispersa a luz, tornando-se transparentes, mas também muito sensíveis que se quebram facilmente.
Borboletas de vidro se alimentam do néctar de uma variedade de flores, mas no momento de fazer a postura de seus ovos e garantir a sobrevivência da próxima geração, elas buscam sempre que possível a planta do gênero “Cestrum” que são tóxicas e afasta os predadores. Ali as larvas se alimentam acumulando alcaloides da planta em seu corpo e apesar de serem larvas bem atraentes, os predadores preferem ficar bem longe delas. Quando já adultas, os machos convertem esses alcaloides em feromônios para atrair as fêmeas para o acasalamento.
 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Cultive o manacá-de-cheiro e atraia borboletas à varanda e ao jardim.






  • Manacá-de-cheiro (Brunfelsia uniflora)
O manacá de cheiro era presença certa nos quintais das casas das vovós do início do século 20. Hoje não é tão fácil encontrar essa espécie nativa da Mata Atlântica em quintais, porque boa parte desses lotes cheios de pomares e flores deu lugar a apartamentos. “Vintage”, esses arbustos de flores brancas e roxas ou azuis podem ser cultivados em vasos.
“Porém, como seu perfume é bem forte, deve-se ter o cuidado de não plantá-lo próximo a dormitórios de crianças e de pessoas mais sensíveis”, explica o paisagista João Jadão, da Planos e Plantas.
Além de disseminar seu odor característico, o manacá é conhecido por atrair borboletas, a “borboleta do manacá” (Methona themisto), que se desenvolve exclusivamente nas folhas dessa planta. Portanto não se assuste se “brotarem” lagartas, além de flores de sua arvorezinha. Elas não fazem mal a planta, portanto, evite destruí-las.

O manacá-de-cheiro (Brunfelsia uniflora) é um arbusto lenhoso da família dasSolanaceaes, da qual também fazem parte o tomate, a batata e o tabaco. Seus nomes populares mais comuns são: manacá-de-jardim, garetataca, mercúrio-vegetal e romeu-e-julieta.
Parecido com uma pequena árvore, detém copa que pode atingir de 2 a 3 metros de altura e até 2 m de diâmetro. Seus ramos são densos e suas folhas ovaladas, lisas e verde escuras. “Se podado, o arbusto toma a forma de arvoreta”, explica Jadão. É uma planta de zonas tropical e subtropical, adaptada a climas quentes. Mas tem um melhor desenvolvimento em zonas onde há grandes diferenças de temperaturas (dias quentes e noites frias).

       Adulto de Methona themisto
De acordo com o paisagista Paulo Cezar Heib, as flores do manacá nascem nas extremidades de seus ramos e passam do azul violeta ao branco, durante a floração, principalmente na primavera e verão. “A beleza e o perfume conferem à planta um grande valor ornamental”, avalia.
Cultivo
No mercado é possível encontrar desde pequenas mudas com cerca de 50 cm até plantas já formadas com quase 2 m de altura. A escolha do tamanho dependerá do projeto paisagístico e do espaço disponível.
O cultivo do manacá é feito através sementes, por estaquia ou - simplesmente – pelo transplante de mudas que surgem das raízes de um exemplar maior, o que torna o manacá-de-cheiro uma espécie entouceirada.
  • Arquivo Jardim Botânico de São Paulo/ Divulgação
    Menor que o "de cheiro", o manacá-da-serra tem menos perfume e flores mais violáceas
Para o bom desenvolvimento, o manacá precisa de muito sol. Versátil, a planta pode ter cultivo isolado ou em grupo, inclusive na forma de renques (as populares cercas-vivas). Quando em vasos, cuide para que os recipientes sejam profundos e com grande diâmetro para não sufocar as raízes e dar boa sustentação ao arbusto.
Para o plantio, a melhor época é o final do inverno ou início da primavera, em solo rico em matéria orgânica. O substrato farto geralmente é suficiente para suprir os nutrientes pedidos pelo manacá, mas isso não impede a adubação química (adubo com enxofre e potássio). Todavia, neste caso, é fundamental seguir a recomendação via embalagem quando do preparo da terra virgem. Depois dessa primeira adubação, repita o processo a cada três meses.
Manutenção
Para manter a boa hidratação e evitar apodrecimento, as regas em canteiros devem ser diárias durante o período de floração, regulares em época de poucas chuvas e moderada em períodos chuvosos, em todos os casos, porém, a terra deve ser regularmente drenada. No caso dos vasos, as regas devem ser sempre regulares (2 a 3 vezes semanais) e a terra que envolve a planta deve ser trocada a cada dois anos.
De acordo com Heib, o manacá-de-cheiro é uma planta que aceita muito bem as podas. O arbusto pode ser limpo após o outono, quando a planta se prepara para entrar em dormência. “Essa limpeza consiste na retirada dos galhos secos e folhas amarelas”, explica.
Pragas
Se encaradas como pragas, as lagartas amarelas e pretas são a ocorrência mais comum nesse arbusto lenhoso, pois depositam seus ovos nas folhas do manacá. Porém, as lagartas e borboletas não trazem dano à planta.
De outro modo, os fungos tendem atacar o manacá nos períodos mais úmidos do ano. Tais microrganismos podem ser eliminados sem grandes dificuldades com uso de fungicida, sob recomendação de um paisagista ou engenheiro agrônomo.
Além dos fungos, o arbusto também é suscetível à ação de cochonilhas e pulgões, mas esses insetos só devem ser combatidos com repelentes quando o manacá não estiver no período de floração.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Mais um livro com descrições e fotos de borboletas e mariposas do Brasil vai ser lançado no IB



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pesquisadores da Unicamp elaboram plano contra extinção de borboletas


 

Duas espécies estão na lista dos 100 animais mais ameaçados do planeta.

Meta é a criação de reservas naturais para os animais em risco.





Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) elaboraram um plano para combater a extinção de duas das 100 espécies com maior risco de extinção, divulgada nesta terça-feira (11) em um congresso na Coreia do Sul. São espécies de borboletas, encontradas apenas no Brasil.

A espécie Actinote Zikani é achada na Serra do Mar na região de Mata Atlântica e a espécie Parides Burchellanus é característica do Cerrado. Segundo o professor e pesquisador da Unicamp André Freitas, no Brasil existem cerca de 3,2 mil espécies de borboletas e destas, cerca de 50 estão ameaçadas de extinção e constam na lista vermelha do Ibama.

Actinote Zikani 






Parides Burchellanus 


Plano

De acordo com Freitas, a principal meta é a criação de reservas naturais para abrigar as espécies, já que o principal motivo para a ameaça às borboletas é a destruição do habitat natural com o desmatamento. "No país, em toda a área do Cerrado não há áreas de proteção ambientais", afirma o pesquisador.
A espécie Actinote Zikani só pode ser encontrada em uma área pequena próxima ao município de Paranapiacaba (SP), que é um dos únicos locais que oferece proteção às borboletas.
Não é possível saber quantos exemplares das espécies ameaçadas ainda estão na natureza, já que não há uma forma de capturá-las. A pesquisa feita na Unicamp não utiliza animais em cativeiro, segundo o pesquisador. "Preferimos deixá-las no habitat natural devido ao tamanho da ameaça contra essas espécies", explica Freitas.




 Actinote Zikani , está ameaçada de extinção (Foto: Ronaldo Francini/ Divulgação)